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Sem títuloO dólar fechou acima dos R$ 3 na tarde desta quinta-feira (5). O mercado segue atento ao programa cambial do Banco Central e às incertezas quanto ao ajuste das contas públicas, depois que o presidente do Senado rejeitou a medida provisória que trata de desonerações tributárias. A moeda norte-americana fechou R$ 3,0115, em alta de 1,03%.

 
Este é o maior valor desde 16 de agosto de 2004, quando a moeda terminou o dia cotada a R$ 3,0146, segundo dados do Banco Central.

 

Nesta quinta, a moeda variou entre R$ 2,9798 e R$ 3,0231, segundo a Reuters. Nos últimos quatro dias, o dólar acumulou alta de 5,44%. No ano, há valorização de 13,27%.

 
A alta se acentuou mesmo após o Banco Central manter o ritmo do aperto monetário e elevar a Selic em 0,50 ponto percentual, deixando em aberto o próximo passo da taxa básica de juros.

 
“Os problemas ainda são os mesmos. A tendência no curto, médio e longo prazos é dólar para cima”, disse à Reuters o gerente de câmbio da corretora Treviso, Reginaldo Galhardo.

 
Ajuste nas contas públicas
Na terça-feira (3), o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) surpreendeu o Executivo ao rejeitar a medida provisória 669, que reduzia a desoneração da folha de pagamentos das empresas.

 
Pouco depois, o governo enviou um projeto de lei com urgência constitucional, assinado pela presidente Dilma Rousseff, para substituir a MP.

 
“A devolução da MP mostra que o governo vai ter mais dificuldade para fazer o ajuste fiscal e que vai ter barreiras políticas no caminho”, disse na quarta-feira (4) o economista da Tendências Rodolfo Oliveira.

 

 

A perspectiva de melhora da política fiscal vinha sendo uma luz no fim do túnel em meio ao cenário de contração econômica e inflação acima de 7%. À medida que se torna mais difícil para o governo cortar seus gastos, a pressão cambial também se intensifica.

 
“O dólar já estava em uma tendência de alta em função dos fundamentos [econômicos] deteriorados. Agora, há esse ‘a mais’, que é o cenário político conturbado dificultando a implementação do ajuste fiscal”, disse na quarta-feira à Reuters o analista da WinTrade Bruno Gonçalves, que não tem expectativas de alívio no câmbio no curto prazo.

 
Com isso, cresce a ansiedade do mercado sobre o futuro do programa de intervenção do Banco Central no câmbio.
Segundo analistas, as expectativas de uma política fiscal mais contracionista eram o único fator amortecendo a pressão sobre o dólar pela deterioração dos dados econômicos. A inflação deve superar 7% no período mesmo com a provável contração da economia.

 
Cenário externo
A perspectiva de alta dos juros nos Estados Unidos, que poderia atrair para a maior economia do mundo recursos atualmente aplicados em países como o Brasil, também vem elevando as cotações do dólar globalmente.

 
Investidores buscarão mais sinais sobre quando isso de fato acontecerá no relatório de emprego do governo norte-americano, que será divulgado na sexta-feira.

 
Intervenções do BC
O atual programa de leilões diários de swap cambial (equivalente a oferta futura de dólares) está marcado para durar até pelo menos o fim deste mês, e a sinalização de que o BC pretende rolar apenas parcialmente os contratos que vencem em 1º de abril já injetou incerteza no mercado.

 
“Isso tudo dá mais fôlego para o mercado testar o BC”, disse o operador de câmbio da corretora Intercam Glauber Romano. “Se não houvesse esta interferência do BC, o câmbio já deveria estar no patamar de R$ 2,90 há alguns meses”, explicou o professor do Insper Otto Nogami.

 
Nesta manhã, o Banco Central dá continuidade às intervenções diárias no mercado de câmbio ofertando até 2 mil swaps cambiais, com vencimentos em 1º de dezembro de 2015 e 1º de fevereiro de 2016.

 
O BC faz ainda mais um leilão de rolagem dos swaps que vencem em 1º de abril, que equivalem a 9,964 bilhões de dólares, com oferta de até 7,4 mil contratos. Até agora, o Banco Central rolou cerca de 11% do lote total.

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