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Sem títuloDepois um início de negócios com forte alta, o dólar passou a operar em queda no final da manhã desta terça-feira (10) e fechou em baixa pela primeira vez em sete sessões.

 

 

A moeda norte-americana fechou cotada a R$ 3,104, em baixa de 0,82%.  Na máxima da sessão, a moeda chegou a R$ 3,1735, segundo a Reuters. Na mínima, caiu a R$ 3,0898.

 
A cena política continua dominando os negócios, com investidores preocupados diante da resistência à presidente Dilma Rousseff e o escândalo em torno da Petrobras, que podem gerar ainda mais obstáculos para o ajuste fiscal promovido pela equipe econômica.

 

 

“O dólar vem subindo com força e quem precisa vender não sabe se entra agora ou mais tarde. Por isso, é normal o câmbio dar alguns respiros, embora a tendência ainda seja definitivamente de alta”, disse à Reuters o operador da corretora Walpires José Carlos Amado.

 
Para o economista da consultoria Tendências Silvio Campos Neto, “os investidores vão ficar muito cautelosos com ativos domésticos e preparados para assumir posições defensivas de olho em todos os sinais que saiam nos próximos dias”.

 
Campos Neto avaliou que é muito difícil falar nesse momento sobre um teto para a moeda norte-americana, “num momento como esse de muita incerteza e fatores locais e externos puxando para o mesmo lado”.

 

Nesta sessão, o dólar se fortaleceu nos mercados externos, refletindo expectativas de que os juros norte-americanos comecem a subir em breve, o que poderia atrair para a maior economia do mundo recursos atualmente aplicados em outros mercados. A moeda dos EUA atingiu a máxima em doze anos contra o euro.

 

 

Dúvidas sobre interferência do Banco Central
Há também incertezas sobre o futuro das intervenções diários do Banco Central no câmbio, marcadas para durar pelo menos até o fim de março. “O que deixa o mercado confuso é que já deveria ter havido algum sinal do BC, seja com o aumento da rolagem, seja com leilões de linha”, afirmou à Reuters o operador de um importante banco nacional.

 

 

Nesta manhã, o BC vendeu a oferta total de até 2 mil swaps pelas rações diárias, com volume correspondente a US$ 97,9 milhões. Foram 1,5 mil contratos com vencimento em 1º de dezembro de 2015 e 500 para 1º de março de 2016.

 

 

O BC vendeu nesta manhã a oferta total no leilão de rolagem dos swaps que vencem em 1º de abril. Até agora, foram rolados cerca de 25% do lote total, que corresponde a US$ 9,964 bilhões. Se mantiver esse ritmo e fizer leilões até o penúltimo pregão do mês, como de praxe, rolará perto de 80% do lote de abril, diferentemente dos últimos meses, em que fez rolagens integrais.
“A ausência (do BC) e a comunicação do governo dão a entender que eles acreditam que de fato o real estava valorizado demais e que vão reagir à alta do dólar com juros, e não com swaps”, acrescentou o operador.

 
O BC também vendeu a oferta total de até 2 mil swaps pelas rações diárias, com volume correspondente a US$ 97,9 milhões. Foram 1,5 mil contratos com vencimento em 1º de dezembro de 2015 e 500 para 1º de março de 2016.

 
‘Panelaço’
Na segunda-feira (9), o dólar fechou em alta de 2,39%, a R$ 3,1297, no maior valor valor desde 22 de junho de 2004, quando o dólar fechou a R$ 3,1341, segundo dados do Banco Central.

 

 

A alta foi influenciada por protestos realizados no domingo, durante a transmissão pela TV de discurso em que Dilma Rousseff defendeu que o ajuste econômico vai durar o tempo que for necessário. A presidente foi vaiada em diversas cidades, enquanto pedia união e paciência.

 
As medidas de reequilíbrio das contas públicas vinham servindo como um alento para investidores em meio à perspectiva de contração econômica e inflação de mais de 7% neste ano.

 
Nas últimas semanas, contudo, as dificuldades que o governo tem enfrentado para implementar essas ações mudaram o cenário, levando investidores a evitar ativos brasileiros e impulsionando o dólar aos maiores níveis em mais de dez anos.

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