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petro1A recente desvalorização do real frente ao dólar está próxima de anular praticamente toda a vantagem que a Petrobras vinha obtendo com a venda de gasolina no país. Levantamento do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE) mostra que a diferença entre o preço do combustível nas refinarias brasileiras e no mercado externo caiu para menos de 1%.

 
No dia 12 de janeiro, a diferença no preço da gasolina chegou a 68,9%, o que gerou cobranças por uma redução nos preços cobrados pela estatal, ainda mais depois da decisão do governo de elevar a tributação sobre combustíveis.

 

Nesta semana, de acordo com a atualização mais recente do monitoramento do CBIE, feito na segunda-feira (9), preço de refinaria nacional da gasolina estava 0,6% acima do preço internacional.

 
Já o preço do óleo diesel nas refinarias nacionais estava 11% acima do preço no Golfo do México. Em meados de janeiro, a diferença era de 53,2%.

 
O dólar fechou nesta quarta-feira a R$ 3,1278. No acumulado do ano, a moeda já subiu 17,64%.

 
Já os preços do barril do petróleo, que no começou do ano rondaram o patamar de US$ 45, tiveram uma recuperação, e têm se sustentado acima dos US$ 55, o que também contribui para reduzir a diferença dos preços da gasolina no Brasil e lá fora.
Nesta quarta, o petróleo tipo Brent fechou a US$ 57,54. Já o petróleo nos Estados Unidos fechou a US$ 48,17 o barril.

 

 

Ganhos da Petrobras no ano
O CBIE estima que, por conta da diferença entre os preços do mercado doméstico e internacional, a Petrobras tenha obtido um ganho de R$ 5,3 bilhões entre novembro de 2014 e janeiro de 2015 com a venda de gasolina e diesel.

 

 
A consultoria destaca, entretanto, que a companhia teve prejuízo na maior parte do ano com a importação de combustíveis, tendo deixado de ganhar (custo de oportunidade) R$ 7,9 bilhões por vender gasolina e diesel a preços menores que os externos.
Procurada pelo G1, a Petrobras não comentou o assunto até a última atualização desta reportagem.

 

 

Risco da Petrobras ter prejuízo
Segundo Adriano Pires, sócio-diretor do CBIE, apesar da diferença ainda favorável para a Petrobras neste ano, a estatal é fortemente pressionada pela alta do dólar e corre risco de voltar a ter prejuízo com a importação de combustível.
“O alívio que a Petrobras tinha foi embora”, diz o analista. “O câmbio penaliza a Petrobras tanto por tirar fluxo de caixa da empresa com a venda de gasolina e diesel como em função do aumento da dívida, que é 70% em dolar”, explica. Pires lembra ainda que 51% das compras da companhia são feitas em dólar.
O analista defende uma política de preços para combustíveis que permita a Petrobras gerenciar o seu fluxo de caixa sem interferências do governo.
“O preço do combustível continua sendo usado como instrumento de política econômica. No passado, para controlar a inflação e agora para arrecadação fiscal”, critica. “Estamos sempre desconectados com o que está acontecendo no mercado internacional. Quando o petróleo estava a US$ 100, vendiamos gasolina barata aqui, dando um rejuízo enorme para a Petrobras. Quando o petróleo caiu para US$ 50, continuamos vendendo gasolina pelo mesmo preço. Agora, com o efeito câmbio, a Petrobras pode tomar prejuízo outra vez”, avalia.

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