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Sem títuloDepois de passar a maior parte do dia operando em alta, a alta do dólar em relação ao real perdeu força e fechou em queda nesta terça-feira (17).

 
A moeda norte-americana caiu 0,42%, a R$ 3,231. O dólar abriu os negócios do dia cotado a R$ 3,25. Na máxima da sessão, atingiu R$ 3,2844, maior nível desde 2 de maio de 2003, quando foi a R$ 3,305.

 

 

Na semana, a moeda tem queda acumulada de 0,55%. No mês, há alta de 13,13% e no ano, de 21,53%.

 
O movimento de queda do dólar coincidiu com o aumento dos ganhos da Bovespa, com operadores citando entradas de estrangeiros na bolsa. O Ibovespa, principal indicador da bolsa paulista, fechou com a maior alta desde janeiro, subindo 2,94%.

 

 

Profissionais no mercado de renda variável ouvidos pela Reuters disseram não ter visto evento específico, relacionando o movimento a uma correção técnica, amparada principalmente no fluxo de capital externo. “Você sempre vê esse movimento: o dólar sobe, a bolsa fica barata; entra estrangeiro, a bolsa sobe e o dólar passa a cair”, resumiu o superintentente de câmbio da corretora TOV, Reginaldo Siaca.

 
Alta durante a maior parte do dia
A recuperação do real no fim da sessão contrastou com a pressão sentida durante praticamente todo o dia. O quadro de apreensão doméstico tem levado investidores a adotar a filosofia de “na ausência de notícias, compre dólares”, segundo o operador de um importante banco nacional, destaca a Reuters. Para ele, notícias positivas podem gerar alívios pontuais, mas será necessária uma mudança significativa no cenário político para reverter a atual trajetória de alta da moeda norte-americana. “Este é o novo normal: quando não acontece nada, o dólar sobe”, afirmou.

 

A principal preocupação dos investidores é com o impacto das turbulências políticas sobre o ajuste fiscal promovido pelo governo, que vem parecendo cada vez mais difícil na visão deles.

 

 

Nesse sentido, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, buscou na véspera apoio às medidas de reequilíbrio das contas públicas, mesmo diante da atividade econômica em contração e da inflação elevada.

 

 

“De um lado temos uma presidente trabalhando para ‘curar cicatrizes’, de outro, um ministro da Fazenda operando em várias frentes visando à aprovação das medidas de ajuste fiscal o mais breve possível”, escreveu o operador da corretora Correparti Luciano Copi em nota a clientes, segundo a Reuters.

 

Analistas ressaltavam ainda que, mesmo no caso de um ajuste fiscal bem-sucedido, a percepção é que a economia brasileira precisa de um dólar forte para se recuperar. Autoridades do governo vêm dando sinais de que acreditam que as atuais cotações são mais próximas de um nível “justo”.

 
O ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Nelson Barbosa, afirmou nesta terça que o câmbio mudou de nível, mas “não é uma situação fora de controle”.

 

 

Intervenção do BC e FED
O movimento do câmbio no Brasil destoava de outros mercados emergentes importantes, onde a divisa norte-americana variava pouco, enquanto investidores aguardavam a decisão do Federal Reserve.

 
A expectativa é que o banco central dos EUA dê pistas mais claras sobre a esperada alta de juros, o que poderia dar mais fôlego à escalada do dólar.

 
Outro fator importante para explicar o comportamento da moeda aqui é a incerteza em relação à continuidade das atuações diárias do Banco Central brasileiro no mercado. O programa está marcado para durar pelo menos até o fim deste mês, mas o BC não deu sinais, até agora, de que pretende estendê-lo, mesmo com a acentuada volatilidade no câmbio.

 
Nesta manhã, o BC deu continuidade às “rações diárias”, vendendo a oferta total de até 2 mil swaps cambiais, que equivalem a uma posição vendida de US$ 97,7 milhões. Foram vendidos 1 mil contratos para 1º de dezembro de 2015 e 1 mil para 1º de março de 2016.

 

 

O BC também vendeu a oferta integral no leilão de rolagem dos swaps que vencem em 1º de abril. Até agora, foram rolados cerca de 43% do lote total, que corresponde a US$ 9,964 bilhões.

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