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Sem títuloO dólar fechou em queda ante o real nesta segunda-feira (23) pela segunda sessão consecutiva, no patamar de R$ 3,14, diante da tranquilidade nos mercados internacionais, com investidores deixando de lado, por ora, as turbulências políticas locais e se concentrando na expectativa de liquidez abundante nos mercados financeiros globais.

 
A moeda norte-americana recuou 2,63%, a R$ 3,1453 na venda. Trata-se da maior queda diária desde 18 de setembro de 2013, quando a divisa caiu 2,89% na sessão.

 
Nos dois últimos pregões, o dólar acumulou queda de 4,59%.

 
No mês, no entanto, ainda há alta acumulada de 10,13% e no ano, de 18,3%.

 
“O resumo é que o mercado está volátil, tanto para baixo quanto para cima”, disse à Reuters o gerente de câmbio da corretora Treviso, Reginaldo Galhardo. “O investidor não sabe onde o dólar vai se assentar, então quando vê um movimento mais acentuado, acompanha a manada”.

 

 

Fatores externos e domésticos

 
Apostas de que o Federal Reserve não tenha pressa para elevar os juros nos Estados Unidos e a liquidez adicional com o programa de compra de títulos do Banco Central Europeu (BCE) têm gerado algum alívio no mercado brasileiro de câmbio nas últimas sessões, apesar das persistentes preocupações com a viabilidade do ajuste fiscal no país.

 

Atritos entre o governo federal e o Congresso Nacional vêm dificultando a implementação das medidas de reequilíbrio das contas públicas prometidas pela equipe econômica liderada pelo ministro Joaquim Levy.

 
O quadro de fundamentos macroeconômicos deteriorados e expectativas de que o Banco Central brasileiro possivelmente não estenda sua intervenção no mercado de câmbio somam-se aos ruídos.

 
Petrobras
A estrategista para a América Latina do Jefferies, Siobhan Morden, defendeu em relatório que boa parte das notícias negativas já estão embutidas na atual cotação do dólar, ressaltando que o câmbio pode ter mais uma onda de alívio se a Petrobras divulgar seu balanço auditado.

 
Ela salientou, contudo, que o processo de ajuste fiscal deve ser longo e arrastado, sustentando a volatilidade no mercado.
“Há dificuldades para avaliar o risco de crédito durante o que parece ser um processo longo para restaurar a âncora fiscal sem apoio parlamentar, com o persistente escândalo da Petrobras e a iminente recessão econômica”, disse ela. “Dito isso, os mercados já descontaram cenários extremos”.

 
Atuação do BC
Nesta manhã, o Banco Central deu continuidade às intervenções diárias no câmbio, vendendo a oferta total de até 2 mil swaps cambiais, divididos igualmente entre os vencimentos em 1º de dezembro de 2015 e 1º de março de 2016.

 
Os contratos colocados equivalem a uma posição vendida em dólar e têm volume correspondente a US$ 97,7 milhões de dólares, segundo a Reuters.

 
O BC também vendeu a oferta integral no leilão de rolagem dos swaps que vencem em 1º de abril. Até agora, rolou cerca de 57% do lote total, que corresponde a US$ 9,964 bilhões.

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