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Sem títuloO dólar fechou em queda nesta quarta-feira (29), após cinco dias consecutivos de ganhos, em dia de definição de juros no Brasil e nos Estados Unidos. A moeda norte-americana terminou o dia a R$ 3,3293, em baixa de 1,18%.

 

“Depois de subir tanto, o dólar está um pouco mais tranquilo hoje, como era de se esperar”, afirmou à Reuters o operador da corretora Intercam Glauber Romano.

 

 

“O movimento hoje foi de correção. O mercado viu que talvez tenha subido muito deste a mudança das metas (fiscais) e, por isso, corrigiu hoje, com a ajuda do cenário externo mais tranquilo também”, resumiu à Reuters o economista da Tendências Consultoria, Silvio Campos Neto.

 
Os mercados aguardam a definição da nova taxa básica de juros brasileira, que será divulgada no final do dia. A expectativa é que a Selic tenha a sétima alta seguida e seja fixada em 14,5% ao ano. Se confirmado, será o maior nível desde agosto de 2006, quando estava em 14,75%.

 
Os investidores também avaliam a decisão do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos Estados Unidos) de manter no piso histórico, entre 0 e 0,25%, a taxa básica de juros do país.

 

 

No comunicado emitido ao final da reunião de dois dias, o Fed afirmou que a economia e o mercado de trabalho dos EUA continuam se fortalecendo, deixando a porta aberta para um possível aumento de juros na próxima reunião sobre política monetária, em setembro.

 

 

“O Fed indicou a melhora da economia, mas não deu nenhum sinal claro de que vai subir juros já em setembro”, disse Silvio Campos Neto.

 

 

O avanço da bolsa chinesa nesta quarta-feira, após quedas fortes nas últimas sessões, também corroborava a tranquilidade, com o dólar caminhando de lado em relação às principais moedas emergentes.

 
No Brasil
Preocupações com a situação fiscal do Brasil após o governo cortar suas metas fiscais, vêm alimentando temores de o país perder seu grau de investimento, corroboradas pela piora da perspectiva da nota brasileira pela Standard & Poor’s na véspera.

 

 

Operadores ainda viam espaço para novas altas do dólar, refletindo o quadro doméstico de turbulências políticas e preocupações com a economia.

 
Essa aposta vem mesmo diante das expectativas de que o Banco Central eleve os juros básicos em mais 0,50 ponto percentual nesta noite, o que tende a aumentar a atratividade dos ativos brasileiros. A Selic está atualmente em 13,75%.

 
O JPMorgan aumentou nesta manhã suas projeções para o câmbio, passando a ver a moeda norte-americana a R$ 3,55 (ante R$ 3,25 antes) em dezembro de 2015 e R$ 3,70 (ante R$ 3,40 reais antes) em junho de 2016.

 
“Embora seja provável que o BC continue com o aperto monetário, acreditamos que o prêmio de risco continuará elevado nos próximos trimestres, ofuscando o maior diferencial de juros”, escreveram os analistas Diego Pereira e Cassiana Fernandez em nota a clientes, segundo a Reuters.

 

 

Intervenção do BC no câmbio
Investidores também aguardam sinalizações do BC sobre suas intervenções no câmbio por meio dos swaps cambiais, equivalentes a venda futura de dólares. Segundo operadores, se o BC sinalizar que pretende rolar cerca de 60% do lote para setembro, correspondente a US$ 10,027 bilhões, como deve fazer com os que vencem em agosto, o mercado entenderá que a autoridade monetária está confortável com o salto recente da moeda dos EUA.

 

 
Nesta manhã, o BC vendeu a oferta total no leilão de rolagem de swaps cambiais de agosto. Com isso, já rolou o equivalente a US$ 5,977 bilhões, ou cerca de 56% do lote que vence no mês que vem, que corresponde a US$ 10,675 bilhões.

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