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APAE IIA luta diária que inspira Raicon, Matheus, Cleuciene, Alisson, Ernani, Bruna, Marcelo e Bruno é pelo reconhecimento. Eles têm em comum o fato de serem alunos da APAE de Mateus Leme, mas possuem características bem diferentes. Peculiaridades que ao invés de distanciá-los, os unem, tornando-os mais fortes e aguerridos.

 

Campeões da primeira fase do X Festival Nossa Arte das APAES, que reuniu alunos de 14 cidades da região Centro-Oeste no último dia 21, em Itaúna, esse grupo formado por oito jovens talentos está mostrando para centenas de pessoas que ser especial é estar ciente de suas responsabilidades sociais, ter consciência com a preservação do meio ambiente e compromisso com o futuro do planeta. E, eles querem mais. Querem levar esta mensagem a outras centenas de pessoas, mostrando que a arte pode ser mais um caminho para promover o conhecimento.

 

Para fazer o alerta os alunos da APAE de Mateus Leme estão antenados e sensíveis às consequências que a falta de água pode trazer. Pelos jornais, eles sabem que a crise no abastecimento pode deixar de ser uma ameaça e se transformar num desafio a ser enfrentado por todos. Por isso, eles assumiram a responsabilidade de serem precursores da conscientização.

 

A água é o tema central do trabalho desenvolvido por eles e a música de Guilherme Arantes, Planeta Água, é que deu o tom para a dança contemporizada na dualidade entre a água, que representa a vida, e a Terra, que sem a água pode ficar seca, desértica. “O senso crítico necessário para o sucesso do trabalho desenvolvido pelos alunos nasceu da observação deles ao contexto social. O nosso trabalho foi apenas o de aguçar a percepção e o interesse pelo assunto. Em sala de aula preparamos tarefas temáticas que culminaram com uma visita à represa de Serra Azul, onde eles conheceram a realidade hídrica do município e ficaram ainda mais interessados no assunto”, contou a diretora da APAE de Mateus Leme, Maria de Lourdes Silva Castro. “O Festival, que surgiu em seguida, nos ofereceu uma condição privilegiada de despertar novos valores de conscientização dos alunos e estender a preocupação para além da escola”, completou Maria de Lourdes.

 

Em casa, entre os familiares, eles foram mostrando aos poucos as lições que aprenderam ao longo do processo de preparação para o Festival. “A arte não somente despertou a vontade deles em buscar novas respostas para as questões do dia-a-dia como também os incentivaram a desenvolver uma consciência coletiva que os inseriram ainda mais no meio social, como cidadãos conscientes e corresponsáveis pelas transformações que afetam toda sociedade”, destacaram as professoras Lúcia Nunes, Áurea Santos e Cláudia Gonçalves Macieira Nóbrega e a pedagoga Fabiane Prado de Souza.

 

Com os conceitos na ponta da língua, eles mostraram que o aprendizado vai ficar para toda a vida. “É importante a gente preservar a água para os rios não secarem”. “Todos temos que economizar água e fazer a nossa parte”. “Água é vida”. “Nós dependemos da água para sobreviver, então temos que preservá-la”.

 

Artes visuais

Além de ter brilhado na apresentação dança contemporânea, Marcelo de Sousa Santos conseguiu descrever na tela um pouco daquilo que viu na visita que fez ao reservatório de Serra Azul. Ele fez o desenho que concorreu na categoria Artes Visuais do Festival. Seu trabalho foi um dos que mais chamou a atenção, mas não venceu a modalidade, por isso não vai participar da etapa estadual do evento, em outubro, mas vai usar seu talento para mobilizar as pessoas, assim como ele foi mobilizado. “Vi na televisão uma reportagem que pedia para gente economizar água. Depois vi como estava a lagoa da Copasa, cheia de barro no lugar onde antes só tinha água. Isso me impressionou”, contou.

 

O trabalho de Marcelo foi emoldurado e está na porta da APAE dando as boas vindas a todos os pais de alunos e visitantes da Instituição. Nos próximos dias, quando a APAE vai reapresentar o trabalho do Festival em algumas escolas do município, Marcelo vai levar o quadro que transformou em mais uma ferramenta de mobilização social contra o desperdício de água.

Arte Literária

A poesia desenvolvida em Mateus Leme também foi um dos destaques do Festival. O texto de Alisson de Oliveira do Carmo não ganhou o prêmio por diferença de um ponto em relação ao primeiro colocado. “Fiquei muito feliz em participar”, afirmou. “Estou orgulhoso do que fiz”, completou.

 

De volta para Mateus Leme, o poema também ganhou destaque. Está em um mural preparado especialmente para ele na área de convivência da APAE. “Está aqui. Todo mundo pode chegar e ler”, concluiu o talentoso Alisson.

 

Etapa Estadual

Em outubro, o grupo de dança contemporânea vai viajar para Poços de Caldas, no sul do Estado, onde vai disputar o título com os municípios vencedores das etapas regionais. Para a grande apresentação, os professores, pedagoga e diretora apostam na fórmula que deu certo em Itaúna, mostrar que além da arte, os alunos têm uma mensagem para transmitir às pessoas.

 

“Transformar uma questão social em arte foi um dos maiores desafios para os alunos e nós professores. Deu certo e estamos aperfeiçoando nosso trabalho para buscar mais um resultado positivo, que valoriza ainda mais nossos alunos e a nossa instituição”, completou Maria de Lourdes.

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