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apac-1O método de Associação de Proteção e Assistência a Condenados (Apac), criado em 1973 e presente em vários estados brasileiros e até no exterior, existe também em Itaúna. O objetivo é humanizar as prisões, melhorando as condições dos presídios e da vida dos encarcerados. A Apac foi uma das finalistas do Prêmio Innovare, uma das premiações mais respeitadas da Justiça brasileira. “Nosso índice de reincidência está em torno de 10%, enquanto no sistema convencional, o percentual é de 80%”.

 
Na Apac de Itaúna, o porteiro é o recuperado Fabiano Pereira da Silva, que cumpre pena por furto. Ele é responsável pelas chaves que dão acesso ao imóvel, pelo controle das câmeras de segurança e também atende o telefone. “Esta responsabilidade, para mim, é muito boa. É uma confiança a mais que a Apac nos passa”, ele disse.

 
A confiança é também a motivação de Cássio de Paula Pereira, condenado por tráfico de drogas e porte ilegal de armas. Ele controla o portão que dá acesso às celas. “A confiança que eles têm em nós faz com que tenhamos vontade de deixar o crime. Aquela esperança de vida de voltar para a cidade, cuidar da família e voltar para a sociedade. Não penso mais em crime”, ele conta.

 
Na Apac, são 165 recuperados. Eles só ficam nas celas para dormir. Das 6h às 22h, estudam e desenvolvem várias atividades. “Eles leem, trabalham, cuidam da limpeza da casa, da alimentação e da padaria”, disse Lídia Vilela, presidente da associação em Itaúna.

 

Boa conduta dos presos
Horários e tarefas são cumpridos à risca. Todos querem ter bom comportamento. Na pequena sala que um dia foi a solitária (lugar para onde os presos são enviados como forma de punição), hoje funciona uma capela. Um espaço para reflexão.

 
Aqui, não existem uniformes e nem a identificação por números. Os recuperados são chamados pelos nomes. A valorização humana é a base do método de recuperação. “Os recuperandos vão executar esses trabalhos para a cura. É o momento que eles têm para refletir sobre seus atos. Essas mãos que, antes, eram usadas para fazer o mal, hoje realizam um bonito trabalho artesanal”, afirmou Paulo Eduardo Saldanha, inspetor de metodologia.

 
Todo o trabalho é feito em parceria com a comunidade. São empresas, instituições e voluntários que desenvolvem as oficinas e palestras motivacionais. “A violência está cada vez maior e as pessoas estão buscando algo que não sabem o que é. Com isso, caem nas drogas e na criminalidade. Quando vemos que o conhecimento dos casos de sucesso consegue fazer essas pessoas mudarem, trazemos isso pra cá”, disse.

 
A mesma preocupação existe com a família dos recuperandos. Os presos que não têm família presente ganham padrinhos. Um trabalho que o pastor Enderson Figueiredo realiza há quatro anos. Ao menos uma vez por semana, ele visita um dos detentos.

 

Tirando as grades, a Apac não lembra em nada um presídio. Aqui não existem policiais armados ou agentes penitenciários. Todo o serviço é feito pelos recuperandos. Eles se sentem como se estivessem em casa.

 
Nas refeições, usam garfos e facas. O almoço e o jantar são juntos com os funcionários. “Uma vez que depositamos confiança neles, eles percebem o quanto são queridos por nós e não sentem vontade de fugir da Apac. Querem cumprir a pena e sair com a cabeça erguida”, disse Lídia Vilela.
Distribuição das Apacs
No Brasil, são 43 Apacs. Dessas, 36 estão em Minas Gerais. “Nosso índice de reincidência está em torno de 10% hoje em dia. O sistema convencional tem em torno de 80%”, acrescentou Paulo Eduardo.

 
A liberdade é o final do caminho. Quando um recebe a notícia de que passou para o regime semiaberto, todos comemoram. Quando saem, eles estão prontos para trabalhar. Para o jovem recuperando Rafael Matos, que se envolveu com o tráfico de drogas, é o recomeço de uma vida. “Agora, mais uma etapa vencida. Antes, o regime fechado. Agora, o semiaberto. O próximo passo é a rua. Poder sair para trabalhar todos os dias e ficar perto da família. Sem esquecer do passado e fazer diferente, para não correr risco de novo”, explicou.

 

G1

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