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IMG_9224Além de recuperar e proteger as fontes de abastecimento de água do município, o Projeto, que já catalogou mais de 900 nascentes, pretende promover conhecimento sobre a necessidade de preservação da água, flora e fauna da região

 

 

Na última seca vários municípios sofreram com a escassez de água, mas apesar da falta de chuva, Itaúna manteve a distribuição normal de água em toda a cidade. Um dos principais fatores que contribuíram para que o município não fosse atingido pelo problema foi o trabalho desenvolvido pelo Projeto Rio São João de recuperação e preservação das nascentes de Itaúna, especialmente as que deságuam no Rio São João, única fonte de abastecimento de água do município.

 
O Projeto iniciou suas atividades em 2006, realizando o diagnóstico ambiental das nascentes da sub-bacia do Rio São João, em Itaguara, Itatiaiuçu, Itaúna e Carmo do Cajuru, respectivamente. Ele se divide em duas partes: Programa de revitalização e Programa Socioambiental, objetivando a proteção e recuperação do Rio São João; e funciona por meio de um acordo operacional entre o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) e a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo.

 
“O Projeto foi criado com o objetivo de conhecer o Rio São João, ver como suas nascentes estão, se têm capacidade para abastecer o rio, por quanto tempo, etc. O primeiro passo foi fazer um diagnóstico desde onde o rio nasce até onde ele deságua, em Pitangui. Já catalogamos 981 nascentes, 603 em Itaúna, entretanto, tivemos que interromper esse diagnóstico para que pudéssemos voltar e revitalizar essas nascentes, porque mais de 70% delas estavam praticamente perdidas”, explicou o Coordenador do Projeto Rio São João, Ralim Dias Mileib.

 
De acordo com Ralim, a equipe está revitalizando algumas microbacias, como a da comunidade de Córrego do Soldado, que é muito importante. Só naquela região existem 66 nascentes e cinco córregos que se juntam e deságuam na barragem de baixo, onde é realizada a captação de água para abastecimento da cidade.
“O que é revitalizar uma nascente? Em primeiro lugar, nós fazemos o cercamento do local, evitando que o gado entre e pisoteie a nascente, deixando um corredor para que esses animais tenham acesso à água, o que chamamos de bebedouro. No segundo momento realizamos o reflorestamento da mata ciliar, vegetação nas margens das nascentes, que permitem a preservação da flora e fauna típicas e atuam na manutenção da qualidade da água. Em Itaúna não tivemos problemas de falta d’água porque já estamos cuidando bem das nossas águas”, esclareceu Ralim.

 
Centro de Educação Ambiental

 
No horto, exclusivo do Projeto, que fica na Rua A no bairro Morro do Engenho, são cultivadas diversas mudas para plantio nas matas do município e para doação. Cada pessoa pode levar até seis mudas, basta ir até o horto e apresentar um documento de identificação. O local também abriga algumas espécies de cobras, como jiboia, urutu, cascavel e caninana; além de patos, marrecos, gansos, porquinhos da índia, e os pássaros silvestres que visitam o espaço.

 

 

“Recebemos muitas visitas de alunos de várias escolas, mas queremos ampliar o número de visitações, montando um Centro de Educação Ambiental. Já estamos construindo um serpentário. Nossa ideia é trazer mais bichos e criar mais viveiros para trabalhar a educação ambiental com a população. Contamos com quatro estagiárias de biologia no Projeto, essas meninas trabalham a educação ambiental nas escolas e comunidades, e cuidam do horto. Para educar essa criançada de hoje sobre a preservação da água, dos animais e da flora, construímos seis quiosques, que a partir de janeiro, vamos colocar em cada um banners contando a história de alguns animais da região e qual a finalidade deles na natureza”, explicou o Diretor do Projeto.

 

 

Ainda de acordo com Ralim, a partir do final de janeiro, a comunidade também poderá utilizar o horto para fazer piqueniques, como um espaço de lazer para toda a família. O local será aberto para visitação de segunda a segunda, no horário de 8h às 16h. A sede da administração do Projeto, que até então funcionava no SAAE, também passará a funcionar no horto a partir do final do mês.

 

 

Rio São João
A sub-bacia do Rio São João faz parte da Bacia do Rio Pará, localizada na Bacia do Alto São Francisco. O Rio São João nasce no campo dos Gentios, em Itaguara, e abrange 11 municípios mineiros em sua sub-bacia (Itaúna, Itaguara, Itatiaiuçu, Carmo do Cajuru, Mateus Leme, São Gonçalo do Pará, Igaratinga, Conceição do Pará, Pará de Minas, Onça do Pitangui e Pitangui), desaguando no Rio Pará, em Pitangui.

 
A Bacia do Rio São João se localiza em uma área de transição entre Cerrado e Mata Atlântica, vegetação já bastante degradada e substituída por pastagens e reflorestamentos de eucalipto. Ainda de acordo com Ralim Mileib, quando o Projeto foi criado, uma pesquisa foi realizada em vários municípios em busca de iniciativas parecidas. “Encontramos apenas em Extrema, município que faz divisa com São Paulo. O Projeto Rio São João já tem recebido visitas de outras cidades, inclusive de outros estados por ser uma coisa inédita por aqui”.

 
Importância econômica

 

 

A pecuária desenvolvida na região do Rio São João é bastante expressiva. A bacia leiteira de Itaúna produz cerca de 40 mil litros por dia. Já a criação do gado de corte contribui para abastecer os matadouros de Itaúna e da capital Belo Horizonte. Com o auxílio da EMATER (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural), a agricultura regional tem se desenvolvido ao ponto de três municípios do vale, Itaúna, Itatiaiuçu e Mateus Leme, serem os maiores abastecedores do CEASA em Belo Horizonte.

 

 

A sub-bacia do Rio São joão conta com quatro usinas produzindo energia elétrica, dentre elas a Usina Dr. Augusto Gonçalves (Engenho), Usina João de Cerqueira Lima (Caixão) e Usina de Santanense. O rio também atende a demanda de areia para construção civil.

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