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IMG_7886Instituição utiliza disciplina, trabalho e fé como pilares para recuperar pessoas que estão sem direção e perspectiva de vida, em parceria com a Secretaria de Assistência Social

 

 

São diversos os fatores que levam uma pessoa a morar na rua, vícios, problemas com a família, perda de um ente querido, desilusões amorosas, dentre outras razões. Em várias ocasiões a sociedade quer que o morador de rua seja retirado daquela situação e levado para outro local imediatamente, porém, a questão é mais complexa, já que muitos precisam de tratamento. “Muita gente acha que o Albergue é um depósito de pessoas, não é isso! Nós estamos aqui para recuperar pessoas, que por alguma razão se isolaram da sociedade”, ressaltou Zulamir Alves, Diretor do Albergue Fraterno Bezerra de Menezes.

 
De acordo com Zulamir, as equipes do CREAS e CRAS, órgãos da Secretaria Municipal de Assistência Social, auxiliam na abordagem ao morador de rua e no encaminhamento até a entidade. Ao chegar no Albergue, caso essa pessoa esteja envolvida com drogas é encaminhada para o CAPS AD – Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas, para fazer o tratamento adequado. Os que estão doentes recebem tratamento médico e quem não tem documentos, o Albergue providencia o pedido de segunda via.

 
O Albergue trabalha com três pontos fundamentais para o ser humano: Disciplina, Trabalho e Fé. “O local é aberto para todas as religiões que queiram realizar ações com os albergados. Todos os dias, às 7h, nós temos culto. Às quartas-feiras têm palestras, aos sábados uma turma evangélica vem realizar um trabalho com eles. O albergue é ecumênico, vem padre, pastores, todo mundo pode realizar atividades aqui. Como a diretoria é espírita, às vezes as pessoas tiram conclusões equivocadas sobre o Albergue”, explicou Zulamir.

 
Recuperação
Uma das condições para a permanência no Alberque é desenvolver uma atividade, a laborterapia, como explica Zulamir. “Aqui todo mundo tem que ajudar. Aquele que está com a perna quebrada pode descascar batata, descascar alho, por exemplo. Quem não quer trabalhar não pode ficar aqui, são normas do regimento interno do albergue”.

 
Zulamir lembra que a recuperação depende 100% do albergado. “Temos vários casos de pessoas que hoje vêm visitar a gente para contar como está: ‘Ah! Hoje eu estou morando em tal lugar, já até casei’, vêm aqui agradecer mesmo, ficamos muito satisfeitos”.

 
Leandro Augusto Pedrosa, 41 anos, teve problemas emocionais e pediu para ficar por um tempo no Albergue. “Vim para achar algumas respostas na vida. Eu sou de Belo Horizonte, perdi a família, familiares, então acabei ficando meio sem direção e isso aqui me ajuda demais”, contou.

 
Funcionamento
O Albergue foi constituído em 04 de junho de 1999, pelo Juiz Dr. Núbio Parreira e está em funcionamento há 12 anos. Com capacidade para 38 pessoas, atua em parceria com o CAPS AD, e a Secretaria Municipal de Assistência Social, por meio do CREAS e do CRAS, além do suporte de todo o âmbito da Prefeitura. “Em média passam aproximadamente 65 pessoas aqui por mês. A média de fixos, que querem permanecer aqui para se recuperarem, é de 18 a 20 pessoas” comentou o Diretor da instituição.

 
O espaço conta com uma estufa toda coberta, que em breve será ampliada, plantação de legumes e horta. Além de serem usadas para consumo próprio, as hortaliças produzidas no Albergue, são doadas para outras entidades e vendidas na porta da instituição. “São produtos orgânicos, nós temos uma parceria com a Emater, que realiza cursos com a gente, ensina a fazer compostagem e tudo o que precisamos”, explicou Zulamir.

 
Atualmente a instituição sobrevive com recursos provenientes de doações, da Prefeitura de Itaúna, da Sedese (Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social), da venda das hortaliças e de vassouras produzidas a partir de garrafas pet pelos albergados.

 
Quem quiser contribuir para o desenvolvimento desse trabalho pode ajudar doando garrafas pet para a fábrica de vassouras. O objetivo é crescer cada vez mais o pequeno empreendimento, de modo a tornar o Albergue autossuficiente financeiramente no futuro.

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