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nova_sede_-_vista_aerea* Sérgio Cunha

 

Muitas foram e tem sido as manifestações sobre a venda do prédio da Prefeitura, para arrecadar recursos visando a construção da nova sede. Nas redes sociais o debate foi mais intenso, com algumas pessoas se manifestando contrárias. Também na Câmara o debate aconteceu, em reunião quando foi aprovado o negócio proposto pelo Executivo, de leiloar o prédio atual para arrecadar recursos para a construção do novo prédio. Discordar é direito de quem assim o desejar e não nos cabe fazer julgamentos quanto a este posicionamento. Assim como concordar, também, deve ser uma posição a ser respeitada. Condenável é a postura de quem discorda ou aprova, mas usa de violência, desrespeito, ofensas, para tentar fazer valer a sua posição como se esta fosse a única correta. Porém, este texto é no sentido de apontar a necessidade de apresentar argumentos que possam sustentar uma ou outra posição.

 

 

Se, por um lado, pode ter faltado alguma informação, como alegam alguns descontentes; por outro, falta argumentação lógica que sustente a posição contrária. Nas manifestações a que tive acesso, faz-se oposição pelo motivo de ser contra, apenas. Nestas manifestações contrárias encontrei afirmações de que “é preciso mais investimento em tratamento de esgoto”, “vai onerar os cofres públicos”, “vai quebrar a Prefeitura”, “não vai ser construído o novo prédio”, “vão gastar o dinheiro em outras áreas”, etc, etc… Ora, alegações que não se sustentam, pela primariedade dos argumentos. Afirmar que a necessidade do Município é investir em tratamento de esgoto, “que está há anos se arrastando” (conforme li em um post) e que a ETE precisa ser concluída é, no mínimo, apelação. Realmente é necessário que se invista em tratamento de esgoto, mas os caminhos para tanto já estão apontados: a ETE está sendo construída e os recursos previstos em contratos assinados com o Governo Federal, além dos recursos municipais já previstos em orçamento.

 

 

 

Os outros “argumentos” apontados são até mesmo infantis, mais parecendo birrinha de criança. “Vai quebrar a Prefeitura”, “vai ser desviado para outras finalidades”, “não vai ser construído o novo prédio”… Qual argumento lógico existe em alegações como estas? Seria mais leal dizer que se é contra porque não quer que ocorra a mudança. Porque não concorda com a atual administração. Porque é contra pelo simples fato de não ser a favor. Também não se sustenta, a desculpa de que “a questão não foi debatida conforme deveria”. Soa a brincadeira, pois há 30 anos que se fala na necessidade de mudar a sede da Prefeitura (lembram quando o Ramalho já anunciava esta necessidade e até teria pensado na construção no terreno ao lado do Espaço Cultural?), por uma infinidade de argumentos, todos lógicos: para gerar economia aos cofres públicos com o fim dos pagamentos de aluguéis de vários imóveis, já que o atual prédio não comporta a estrutura do Município; para facilitar o acesso, já que um novo local já deve ser pensado com estacionamento que comporte o fluxo de veículos; porque o atual prédio não tem a acessibilidade necessária a idosos e portadores de necessidades especiais; porque o atual prédio não garante segurança aos trabalhadores, especialmente em caso de incêndio; etc. A questão da falta de estacionamento é a mais notada, mas há uma infinidade de outros problemas.

 

 

Outro fato a ser destacado: a decisão é administrativa e durante todo este mandato, mais ainda nos últimos 12 meses, tem-se debatido esta necessidade, em várias ocasiões. Uma alegação lógica, seria a de questionar o por que de o projeto ir à Câmara em regime de urgência. Porém, se se buscasse a razão para isto seria fácil encontrar a informação de que o projeto não poderia ser encaminhado à Câmara, antes de a Prefeitura receber o terreno; o que demandou um período de cerca de dois anos, a partir da proposta inicial, devido às licenças ambientais necessárias. Isto (a liberação das licenças e a entrega do terreno à Prefeitura) só aconteceu no final do ano e, para que seja iniciada a construção ainda em 2016, era necessária a aprovação ainda em 2015. E todos sabem que, se deixasse para este ano, devido a questões muito mais políticas do que de interesse social, o projeto se arrastaria na Câmara. Na verdade, o que se faz nesta questão é muito mais jogo político do que interesse social. O problema está na possibilidade de a construção ser feita ainda em 2016 e isto funcionar como “propaganda” positiva para o atual prefeito.

 

 

 

E vão fazer mais jogos desse tipo no decorrer deste ano, que é ano eleitoral e os “ânimos eleitorais” ficam acirrados. Tomem por exemplo a questão do transporte coletivo: é sabido que deve ocorrer aumento no valor das passagens nestes primeiros meses do ano, em Itaúna, também. Vários municípios estão concedendo aumento e aqui não deverá ser diferente. Aí, quando isto ocorrer, vão cair de pau, afirmando que é um absurdo, etc e tal. Mas ficarão calados, como têm ficado, quando aumentam a conta de energia elétrica; quando atrasam o salário dos funcionários do Estado; quando dispara o preço da gasolina; quando gastam com pintura de fachada das farmácias em vermelho e deixam de comprar remédios de uso contínuo… Novamente, lançarão as críticas sem argumentos lógicos que as validem. É só isto: jogo político-eleitoreiro.

 

 

 

* Sérgio Cunha é jornalista profissional, especialista em comunicação pública, mestrando em Gestão e Auditoria Ambiental e ocupa o cargo de Gerente de Resíduos do SAAE de Itaúna.

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