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catadores_itauna_-_giovane_abre_TkUbyoEItaúna e Pará de Minas, no Centro-Oeste Mineiro, aparecem em uma lista divulgada nesta quinta-feira (11) pelo governo estadual, que reúne seis municípios mineiros que receberão investimentos para um projeto de sistematização de modelo de coleta seletiva solidária de resíduos, que torna os catadores de material reciclável em prestadores de serviço para as prefeituras.

 
O investimento total é de cerca de R$ 1,2 milhão. Desse total, aproximadamente R$ 680 mil foram obtidos pelo Estado em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e outros cerca de R$ 450 mil, do Serviço Voluntário de Assistência Social (Servas) e da iniciativa privada. O Estado não informou quanto desse dinheiro será destinado a cada uma das cidades, nem quando isso será feito.

 
Itaúna tem 91.453 habitantes, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e gera 1,9 mil toneladas de lixo por mês, segundo dados do Município. O índice de reaproveitamento mensal é de 23%, o que representa 400 toneladas de material reciclável sendo reutilizado na indústria. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, na maioria dos municípios brasileiros, este índice está em torno de 1%.

 

“A gente fica orgulhoso porque é um projeto que gera renda para as famílias. Além disso, estamos contribuindo com meio ambiente”, afirma Fábio André Souza, presidente da Cooperativa de Reciclagem e trabalho (Coopert), de Itaúna.
O lucro da cooperativa é dividido em partes iguais para os associados. Descontadas todos os impostos, eles chegam a receber, por mês, entre R$ 2 mil a R$3 mil. O gerente classifica a participação no projeto como uma oportunidade de compartilhar experiência com outros municípios e aprender novas técnicas.

 
Pará de Minas
Em Pará de Minas, cidade de 84.215 habitantes, a cooperativa fundada em 2004 faz a coleta e a separação do material reciclável emprega cerca de 80 pessoas. De acordo com o secretário municipal de Meio Ambiente, Ramon Diniz Faria, são recolhidas aproximadamente 70 toneladas de lixo reciclável todos os dias.

 
A coleta é feita em quatro caminhões. Dois pertencem à cooperativa e outros dois são emprestados pela Prefeitura, que também paga dois motoristas, o combustível e cede o terreno e o galpão à cooperativa. O secretário afirma que ter uma cooperativa de recicláveis significa economia aos cofres do Município.

 

 

“O trabalho desenvolvido pelos catadores permite aumentar a vida útil do aterro sanitário da cidade. Cada tonelada de material reciclado gera uma economia grande à Prefeitura, que atualmente paga à empresa que administra o aterro o valor de R$ 80 por tonelada de lixo”, informou.

 
O dinheiro que a cooperativa ganha com a venda dos recicláveis é dividido entre os catadores associados. “Isso tem feito de Pará de Minas uma cidade modelo em reciclagem, que recebe muitas visitas de equipes de outras prefeituras, que vêm conhecer as atividades desenvolvidas na cooperativa e também no aterro”, afirmou.

 
Entenda a proposta
O Centro Mineiro de Referência em Resíduos (CMRR) tem gerência compartilhada pelo Servas e pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Semad) e coordena a execução do projeto em parceria com o Movimento Nacional de Catadores de Material Reciclável e o Instituto Nenuca de Desenvolvimento Sustentável.

 
A proposta prevê a formatação do modelo de inclusão socioprodutiva dos catadores, usando como campo de estudo e consolidação da metodologia, além de Itaúna e Pará de Minas, os municípios de João Monlevade, na região central; Lavras, no Sul de Minas; Paracatu, no Noroeste e Porteirinha, no Norte.

 

Um termo de compromisso foi assinado com os gestores públicos dessas cidades e as associações e cooperativas de catadores locais possuem, ao todo, 189 integrantes. Segundo a diretora executiva do CMRR, Jacqueline Rutkowski, os municípios foram escolhidos porque os catadores já estão organizados e porque há predisposição das prefeituras em consolidar o sistema de coleta seletiva solidária em suas cidades.

 
Adequação e redução de custo
A diretora executiva do CMRR informou também que foram contratados consultores, especialistas em engenharia ambiental e de produção, contadores e geógrafos, que já estão capacitando os catadores e gestores públicos dos municípios. Os profissionais vão elaborar estudos de custo e do uso dos equipamentos de transporte de coleta, processos de licenciamento dos galpões de reciclagem, organizar os procedimentos tributários e fiscais das associações e cooperativas e propor formas de monitorar o sistema.

 

 
“A intenção é adequar a gestão de resíduos ao que determina a política nacional. As regras federais obrigam os municípios a implantarem a coleta seletiva e dar prioridade à contratação de associações e cooperativa de catadores locais para fazer o serviço”, acrescentou Rutkowski.

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