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20160321221406992375aAeronave experimental da UFMG foi construída em etapas por engenheiro de Itaúna. Registrada na Anac, CB-12 Curumim II agora percorre os céus de Minas Gerais

 

No rastro de Santos Dumont, o Pai da Aviação, e outros mineiros que conseguiram tal façanha, construir o próprio avião e explorar o céu era um antigo sonho do engenheiro industrial e empresário do ramo radiofônico Helênio Antônio Lara, de 55 anos. Natural de Itaúna, na Região Centro-Oeste de Minas, Helênio é daqueles aficionados por aviação: coleciona revistas, participa de grupos de discussão na internet e feiras do setor. A paixão começou logo na infância. Aos cinco anos, Helênio ficou encantado com a imagem do Aeroporto da Pampulha num passeio levado pelo pai. Desde garoto também é um apaixonado por ferramentas.

 

 

Caminhos que o levaram, junto a uma incrível força de vontade, à construção de uma aeronave CB-12 Curumim II, projeto desenvolvido pelo Centro de Estudos Aeronáuticos (CEA) da Universidade Federal de Minas Gerais que ganhou corpo, na versão de Helênio, com um motor Rotax de 100cv (cavalos) de potência.

 

 

 

Do início ao fim foram seis anos de construção, a maior parte deles utilizando o próprio lar como fábrica: nas horas de folga, as partes do monomotor ganhavam forma nos fundos de casa. Hoje o projeto já soma 50 horas de voo, a maior parte deles com rota à cidades do interior mineiro, como Curvelo e Varginha, rota mais longa (55 minutos) até então.

 

A princípio a ideia era conceber uma aeronave baseada no projeto AC 15 Guapo, planta disponibilizada gratuitamente na internet. Em março de 2006, há exatos 10 anos, Helênio soube do desenvolvimento do CB-12 Curumim II na UFMG e procurou o professor Cláudio Pinto de Barros, para conhecê-lo. “Confesso que como engenheiro nunca tinha visto um projeto tão detalhado em cada parte da construção. Com poucas palavras o professor Barros conquistou minha amizade e eu fiquei convencido que o CB-12 Curumim II que seria construído por mim”, conta o engenheiro, que então adquiriu o projeto de número 0005.

 

 

A construção da aeronave experimental com fuselagem de fibra de vidro começou com adversidades e pouco ferramental, mas a tarefa era compensada pela companhia dos filhos, Sarah, Sophia e Samuel. Aos sábados Helênio viajava até Belo Horizonte, na casa de outro construtor do mesmo modelo, tomando experiência na construção amadora. A escolha pelos componentes tomou por base a indústria aeronáutica, com motor, rodas, pneus, atuador do flaps e instrumentação (altímetro, velocímetro e indicadores de subida e descida) específicos.

 

 

O tempo passou, a aeronave tomou espaço e a fabricação teve de ser transferida para um galpão, num terreno onde funcionava o antigo aeroporto de Itaúna. Apesar de a execução do projeto ter levado oito anos, a construção demandou apenas seis, devido a problemas de saúde da esposa, já falecida, que sempre o apoiou.

 

 

Após obter o registro PU-HLA da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a aeronave concluída foi transportada de caminhão para o aeroporto de Pará de Minas, onde começaram os ensaios, primeiro em solo e depois nas corridas de pista. Dentre as dificuldades de projeto esteve a escolha do motor italiano Simonini de 110cv. Helênio se deparou com dois problemas: acerto da temperatura e centro de gravidade, pelo fato de o motor ser muito leve.

 

 

A pendência só foi resolvida com a substituição por um motor Rotax de potência inferior – mesmo motor utilizado pelo engenheiro mecânico Ronaldo Santiago Silveira, de Contagem, na construção de outra aeronave experimental, um Zodiac. A bordo, o CB-12 Curumim II tem espaço para dois passageiros mais 40kg de carga. A exemplo de Ronaldo, Helênio fez questão de registrar passo a passo a evolução na execução do projeto.

 

 

NO CÉU Motor e temperatura acertados, o avião de Helênio levantou voo em 1º de janeiro de 2015, num “aeroporto vazio, de pouco movimento e duas horas sem nenhum problema”, lembra. Hoje o CB-12 Curumim II acumula 50 horas de voo, com velocidade de cruzeiro de 120 nós – equivalente a 222 km/h –, subindo mil pés por minuto a 80 nós. Como a cabine não é pressurizada, o teto operacional varia entre 10 mil e 12 mil pés. A autonomia máxima é de 7h30 (consumo de 15 litros/hora). Apesar de jovem, o filho de Helênio, Samuel Lara, de 16 anos, já passou em uma prova da Anac e segue o caminho do pai.

 

 

“A construção e voo de uma aeronave revela ao construtor e piloto uma sensação única e inexplicável que reforça a cada dia os ideais de liberdade. Ao sentar na cabine, não me sinto preso ao avião. Muito pelo contrário. Sinto que ele faz parte de mim numa completa união entre ser humano e máquina”, define Helênio, acrescentando que os únicos ingredientes necessários para se tornar um construtor aeronáutico são paixão e determinação. Força de vontade, pelo visto, é o que não falta.

 

 

Fonte: Estado de Minas

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