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Yvone Lobato por Mateus MeirelesDiante do período de instabilidade financeira no país, cada vez mais pessoas enxergam o trabalho informal como alternativa para obtenção de renda. A proporção de pessoas que trabalham por conta própria entre o total de ocupados aumentou de 17,9%, em janeiro de 2013, para 19,8% em novembro de 2015, segundo cálculos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), com base na Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento foi feito nas seis principais regiões metropolitanas brasileiras (Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife e Salvador). Dentro desse cenário, o artesanato é uma opção para quem quer driblar a recessão.

 

 

Antes mesmo da temida crise se instaurar no país, Yvone Lobato apostou suas fichas no trabalho manual. Aos 11 anos, se aventurou na máquina de costura e da velha saia da mãe criou um vestido. Mesmo receosa com a possível falta de clientela, aos 14, colocou na porta de casa uma placa com os dizeres “Costura-se para Senhoras”. Logo se tornou conhecida no bairro por seus serviços.

 

 

Anos mais tarde, quando já comandava sua própria confecção, teve o insight de elaborar uma máquina que possibilitasse um acabamento de qualidade para tecidos sintéticos sem o alto custo dos equipamentos que utilizam a tecnologia de corte à laser. Com a ajuda do cunhado, o engenheiro Francisco Linhares, ela desenvolveu as primeiras seis unidades piloto da Fit Laser.

 

 

O equipamento se tornou sucesso entre os artesãos por se tratar de uma alternativa de baixo custo e alta produtividade para a criação de diversos produtos, flores, bonecos e bichinhos. É possível confeccionar mais de 100 fuxicos por hora sem pegar na tesoura, agulha e linha. Os kits comercializados contam com moldes, pinça, alicate, cola e um DVD com videoaulas.

 

 

Yvone se orgulha da criação, pois além de ser uma forma de terapia e geração de renda para as pessoas, também auxilia no resgate da autoestima. “Certa vez, estava participando de uma feira apresentando a Fit Laser e uma senhora muito simples e cabisbaixa se aproximou e ficou interessada pela máquina. Antes de adquirir uma unidade, ela contou que havia sido abandonada pelo marido e que passava por dificuldades para manter o seu lar. No ano seguinte, ela voltou nessa mesma feira para me agradecer e contar que com o artesanato que passou a vender conseguiu colocar suas contas em dia em um mês, abriu uma barraquinha e passou a dar aulas”, conta.

 

 

 

Com a ajuda do equipamento, uma artesã de Aparecida de Goiânia ganhou o mundo. Ela desenvolveu uma colcha de fuxico de cetim e decidiu mostrá-la para o Cônsul da Alemanha, que gostou da peça e comprou uma para sua sogra. As encomendas começaram a aumentar e ela teve que pedir mais 10 máquinas, criando uma equipe para auxiliar na produção para exportação.

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