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Projeto de revitalização prevê ainda a reconstrução do altar-mor, com recursos do ICMS Cultural

 

 

A manhã deste domingo, 26 de março, foi de muita alegria para a comunidade itaunense, com a entrega da Capela do Nosso Senhor do Bonfim, reconstruída por meio de parcerias que reforçaram a necessidade da união de esforços para a preservação do patrimônio público. Centenas de pessoas subiram ao alto do morro onde está localizada a igrejinha para participar da cerimônia, que foi marcada pela emoção. Diversas autoridades, de Itaúna e região, estiveram presentes e puderam presenciar um momento histórico para o município.

 
O discurso do promotor Daniel Batista Mendes, que foi representado na solenidade pela servidora do Ministério Público, Hébia Machado, salientou a importância de a sociedade estar atenta à própria história. O titular da 3ª Promotoria de Justiça, curadoria de defesa do Meio Ambiente, Habitação e Urbanismo, destacou também a importância de todos os órgãos e pessoas envolvidos nas obras. “Foi um trabalho em conjunto e o resultado é gratificante. A revitalização e a ocupação desse espaço vai manter afastados os vândalos, os malfeitores. Todos nós precisamos cuidar desse local, pois ele faz parte da identidade cultural do povo de Itaúna”, frisou. “E, se esquecemos nossa cultura, esquecemos quem somos”, completou, citando o renomado escritor Miguel de Cervantes.

 
O prefeito Neider Moreira falou sobre o resgate de uma parte da história da cidade, a partir da reabertura da Capela do Bonfim, que, ressaltou, tem um caráter diferenciado para quem é itaunense. “Sempre subi aqui, desde a infância, e aprendi a valorizar a beleza e a importância desse lugar. É uma edificação singela, mas que tem um significado especial para a nossa população e precisa ser respeitada e preservada”, disse.

 
O chefe do Executivo lembrou o esforço feito por várias entidades e órgãos. “Mais uma vez, vejo que podemos superar as dificuldades, as intempéries. Parafraseando o Papa Francisco, Neider comentou que a sociedade, dentro do conceito que ela representa, de conjunto, é o que movimenta todos os processos para a construção de um mundo mais justo e fraterno. “A sociedade precisa saber que tem um papel essencial, se envolver e participar. Ajudem-nos a tomar conta do nosso patrimônio, que compreendam que juntos podemos fazer mais. Eu me sinto especialmente emocionado hoje”, afirmou.

 
Para o bispo diocesano, Dom José Carlos Souza Campos, a entrega da Capela reconstruída à comunidade confirmou, mais uma vez, a religiosidade do povo itaunense, segundo ele, sempre preponderante. “Não é um momento católico e sim religioso. Sabemos, pela história da Capela do Nosso Senhor do Bonfim, em Itaúna, que os primeiros homens que chegaram aqui, queriam trabalhar, lá na planície, abençoados por Deus, olhados daqui de cima. Temos que agradecer a todos os parceiros, a todos os trabalhadores, ao belo grupo de protagonista que atuou para viabilizar a devolução do patrimônio. São muitos os personagens que se esforçaram para isso”, constatou.

 
Dom José convocou a população a continuar com o espírito de união, em busca de prosperidade e melhorias para todos. “Também gostaria de citar o Papa Francisco, que diz que não devemos passar pelo mundo deixando um rastro de destruição e sim boas realizações, alegria e harmonia”, encerrou.

 
O bispo da Diocese de Divinópolis, da qual fazem parte as paróquias de Itaúna, abriu as portas da Capela do Bonfim ao lado do prefeito Neider Moreira e, depois de celebrar a missa em ação de graças pela entrega da igrejinha reconstruída, plantou junto com o chefe do Executivo uma muda de árvore, da espécie Pau de Óleo, simbolizando o início da execução do projeto de arborização de todo o entorno.

 

 

Administração municipal reforça zelo com o patrimônio histórico

 
Destruída por um incêndio, em outubro de 2014, a Capela de Nosso Senhor do Bonfim foi alvo de grande mobilização da sociedade itaunense desde a tragédia que deixou a antiga edificação praticamente reduzida a escombros e cinzas. Após dois anos, a igrejinha começou a ser construída pela Paróquia Nossa Senhora de Fátima, em parceria com o Ministério Público, o Centro Mineiro de Alianças Intersetoriais – Cemais, a Associação Regional de Proteção Ambiental – ARPA, e a Prefeitura de Itaúna.

 
O Município deu continuidade aos trabalhos para revitalização do entorno, por meio de projeto desenvolvido pela Secretaria de Regulação Urbana, para execução junto da Secretaria de Infraestrutura e Serviços, com obras de nivelamento do terreno e construída portaria para controle de acesso e vigilância, medida essencial para a proteção do patrimônio. Também foram priorizadas intervenções para garantir a acessibilidade, com instalação de rampa, melhorias na estrada de acesso, limpeza, iluminação e arborização.

 
A reconstrução do altar-mor, também destruído pelas chamas e não contemplado, a princípio, devido aos altos custos para a reconstrução da capela, nos mesmos moldes em que foi edificada, também já está em fase de análise. A Prefeitura pretende aplicar na obra recursos do ICMS Cultural, parte do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços, destinada ao resgate e preservação do patrimônio histórico dos municípios. O projeto está sendo elaborado e logo que for concluído, será encaminhado para avaliação e aprovação do Conselho Deliberativo Municipal do Patrimônio Artístico, Cultural e Ecológico – Codempace.

 
A Capela de Nosso Senhor do Bonfim foi edificada, de acordo com os registros históricos, em 1853, pelo tenente José Ribeiro de Azambuja, conhecido e rico fazendeiro da época. Em arquitetura colonial do século XIX, foi construída, em pleno período imperial e tombada como patrimônio histórico, no ano de 2006, pelo decreto municipal nº 4.912.

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