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Stefan Salej

Com mais de duzentos milhões de habitantes, você tem todas as imagináveis classes sociais (quem diria que Belo Horizonte teria parada LTBG um dia, e teve neste último domingo), econômicas , culturais, ideológicas e tudo o que os sociólogos e cientistas políticos podem achar que compõe a variedade nacional chamada Brasil. E por mais que se analise e destrinche essa variedade, sempre aparece que a maioria dos brasileiros não é nem de extrema direita ou esquerda, nem da abastada elite econômica ou política, nem só do Norte, Nordeste, Sul ou Sudeste, nem só da Amazônia e nem só do sertão.

 

Sempre se chega a uma conclusão, estatística e política, real e irreal ao mesmo tempo, que a maioria dos brasileiros é simplesmente o povo. Povão. Mistura de raças, culturas, raízes, convivendo e vivendo em todos os rincões do Brasil. O povão que tem uma cultura popular incrível, capacidade de sobrevivência superior demonstrada nos desastres naturais ou provocados como o de Mariana ( e sem solução até hoje) e resistência impar no mundo ao sobreviver à distancia que os separa dos políticos que elegem e da realidade que vivem no dia a dia.

 

Por exemplo, será que os dois deputados federais mineiros (os dois pertencendo a tradicionais famílias políticas que através de gerações sobrevivem a todos os governos e todas as adversidades, inclusive aos militares) que conseguiram nesta semana, por apoiarem o governo do Michel Temer, dez milhões de reais (ou seja mais de mil salários mínimos cada um) vão dizer onde será aplicado esse dinheiro? Na saúde, na construção de estradas, educação, novos empregos? Qual a transparência dessas emendas parlamentares para os eleitores? Nenhuma.

 

E será que os políticos que nos representam realmente sentem e sabem quais são os problemas da maioria dos brasileiros? Temos mais de um quarto da população desempregada ou subempregada e sem nenhuma perspectiva de empregabilidade na nova onda de industrialização que se desenha nos horizontes do eventual desenvolvimento. A saúde pública é desenhada para a morte lenta, não do sistema, mas do paciente. E a educação procura caminhos para ser cada vez mais privada para alguns e oferecer educação pública, com raras exceções, com alguma qualidade.

Em resumo, o brasileiro, brasileiro mesmo, o povo (porque os endinheirados na sua maioria queriam ser cidadãos europeus no Brasil, ganhando dinheiro guardado lá fora, e reclamando que o país é insustentável) estaria preocupado em saber se Temer fica ou não? Me poupe por favor e pergunte se esse povão quer saber dos políticos. Quer saber é se essa roubalheira vai ser punida e se as coisas da vida diária para ele, emprego, escola, saúde, futuro dos filhos fora de narcotráfico, vai melhorar.

 

Simples assim. Ao povão não interessa uma democracia que destrói vidas através de populismo e corrupção. Democracia interessa e é boa se produz não só liberdades individuais mas também justiça e oportunidades iguais. É isso que os responsáveis políticos têm que oferecer antes que o desespero tome conta do país sem prumo e sem rumo. Estamos vivendo um genocídio nacional insistindo que jogos entre diversos atores do poder estão oferecendo uma vida melhor para o povão. Não estão e não sabemos, é onde mora o perigo, por quanto tempo essa situação poderá existir. Como disse Abraham Lincoln: você não pode enganar a todos por todo o tempo.

STEFAN SALEJ, consultor empresarial, foi presidente do Sebrae/MG e do Sistema Fiemg.

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