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STEFAN SALEJ

 

Nos mercados globais, Minas Gerais é sinônimo de pão de queijo, café e cachaça. Para produzir um bom pão de queijo, precisa-se de polvilho e queijo. Misturando tudo isso e mais alguma coisa, faltava que esse produto maravilhoso da culinária mineira pudesse ser oferecido fora do cozinha da casa onde era feito. Gostoso é pão de queijo quentinho com cafezinho feito na hora. E aí entra na história a professora doutora Ana Maria e sua equipe da Universidade Federal da Viçosa, que descobre como congelar a massa do pão de queijo. E o projeto foi financiado pelo Sebrae Minas.

 

Os resultados estão aí: uma indústria bilionária, cuja cadeia produtiva emprega milhares de pessoas e leva o produto aos quatro cantos do mundo. A professora deve estar aposentada e ninguém mais lembra dela e da equipe (as tais pesquisas acadêmicas), nem ela nem a universidade na época dirigida pelo atual presidente da FAPEMIG, prof. Evandro Villela, receberam um tostão e nem o Sebrae Minas recebeu compensação financeira pelo que fez. Mas, a economia de Minas, gerando empregos, e as empresas competitivas, sim, existem e estão prosperando.

 

A cachaça artesanal mineira, outro produto cujos preços estão proibitivos, mas mesmo assim é um produto global, atingiu sua qualidade quando pesquisadores das universidades ajudaram a melhorar a qualidade, introduzindo métodos de produção e controle de qualidade comparáveis à produção do conhaque francês. E ai entrou o marketing, com esforço empresarial, que também levou a mais empregos e mais resultados positivos das empresas.

 

Do café arábica Minas, marca reconhecida mundialmente, aos cafés gourmet, o caminho foi longo e persistente. Também neste caso as universidades tiveram um papel fundamental. A aliança de cafeicultores com pesquisadores elevou a qualidade e colocou no mercado mundial produtos que fogem à especificação comum de café commodity para atingir preços que compensam a qualidade oferecida.

 

Há outros exemplos, como o nascimento do projeto Cerrado na agricultura, que começou na antiga Escola de Agricultura de Lavras e faz hoje do Brasil uma potência agrícola mundial. A corajosa iniciativa de formar um núcleo de Biotecnologia, a BIOMINAS em Belo Horizonte, a fábrica de chips com cooperação com suíços, e algumas outras iniciativas que hoje têm sua expressão maior em centenas de start up, que crescem como cogumelos após a chuva pelo estado afora.

 

Os desafios porém sao maiores, porque a saída da crise brasileira passa pela transformação da sua economia copiadora em uma economia inovadora. E para isso não faltam nem pesquisadores, nem universidades, nem dinheiro. Claro que o sistema acadêmico vive reclamando da falta de recursos, principalmente neste momento, esquecendo que temos 30 milhões de desempregados e estamos em um processo de reajuste econômico onde todos temos que perder os anéis, principalmente os políticos, para não perder os dedos.

 

O grande problema nosso é acreditarmos que a inovação é o único caminho para melhorarmos o país. Precisamos ter coragem para criar alianças que produzam resultados em uma economia digital, de blockchain, de big data, de analytics, de inteligência artificial, de indústria 4.0, de física quântica etc.

 

Estamos de costas para o futuro, investindo em tecnologias que produzem resultados parcos mas não nos colocam na frente da corrida para a conquista do mundo. Investimentos bilionários que atendem a uns, como laboratórios de alta tensão, centro de tecnologia ex-estatal para atender industrias fora do estado, pesquisas repetidas em dezenas de universidades no estado, nos obrigam a repensar urgentemente a nossa política de inovação, incluindo centenas de start up que produzam resultados palpáveis para a economia do estado.

 

STEFAN SALEJ, consultor empresarial, ex-presidente do Sistema Fiemg e Sebrae MG

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