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Olavo Machado Junior

 

 

A mobilização da indústria nacional tem sido fundamental no cenário de recuperação econômica que começamos a viver em 2017, de forma ainda tímida, e que, esperamos, se intensifique em 2018. Para isso, há grandes desafios a serem enfrentados e superados. Nesta caminhada, nossa principal estratégia é a união e a coesão na defesa dos interesses da indústria. Será dessa forma, buscando convergências, que seguiremos adiante no ano que se aproxima, atuando sempre pelo fortalecimento econômico do país e pela geração de oportunidades de negócios e de empregos para os brasileiros.

 

 

A face mais visível e cruel dos impactos da mais grave recessão da história brasileira, vivida desde o segundo semestre de 2014 e que ainda é motivo de fundadas preocupações, é a taxa de desemprego, que fecha o ano ao redor de 12%, com 12,7 milhões de desempregados. Como se vê, os obstáculos são muitos e difíceis, mas há razões objetivas para acreditar que estamos no bom caminho para a retomada do crescimento e da justa distribuição de seus frutos.

 

 

Embora com taxa modesta, o Produto Interno Bruto (PIB) voltará a crescer este ano, as taxas de juros estão em seu mais baixo patamar histórico, a inflação está controlada e o consumo começa a se recuperar. Tudo isso, em conjunto, estimula os investimentos. As projeções da FIEMG mostram que o PIB brasileiro deve crescer 0,9% em 2017 e 2,6% em 2018. Em Minas Gerais, a expectativa é de modesta alta de 0,5% neste ano e 2,5% para os próximos 12 meses.

 

 

A indústria segue esta tendência de retomada gradativa do crescimento. Após longos períodos de queda, a produção física do setor, tanto no Brasil como em Minas Gerais, voltou a exibir resultados positivos em 2017. O melhor desempenho é puxado, principalmente, pelo setor automotivo, pela indústria extrativa e de alimentos. No país, a expectativa é de alta de 2% neste ano e de 2,9% em 2018. Em Minas Gerais, 1,9% e 3,3%, respectivamente.

 

 

Esta retomada não se dá por acaso. O Brasil obteve importantes vitórias em campos fundamentais para a construção de um novo país, capaz de gerar desenvolvimento e oportunidades. No âmbito do poder legislativo, 2017 registrou conquistas fundamentais, que vinham sendo postergadas há décadas, para assegurar ambiente favorável aos negócios e para ampliar a competitividade das empresas.

 

 

Destacam-se, entre estas conquistas, a aprovação da legislação que fixa teto para os gastos públicos, a lei da terceirização e, muito especialmente, a reforma das relações trabalhistas que garante segurança jurídica e razoabilidade econômica nas relações entre as empresas e seus empregados, modernizando uma legislação arcaica, dos anos 40 do século passado.

 

 

Avançamos, de fato, mas é preciso seguir adiante. No campo das grandes reformas, é absolutamente fundamental aprovar a legislação previdenciária, que, em essência, corta privilégios e garante sustentação a um sistema que, mantidas as regras atuais, caminhará aceleradamente para a insolvência.

 

 

A aprovação da Reforma da Previdência pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal é absolutamente necessária para eliminar uma das principais causas do crescente déficit nas contas públicas. Os brasileiros não podem mais conviver com um déficit anual da ordem de R$ 200 bilhões, provocado pelos regimes de Previdência vigentes no Brasil.

 

 

Hoje, a população aposentada cresce 3,5% ao ano e a de trabalhadores na ativa aumenta apenas 0,7%, chegando, em muito pouco tempo, à estagnação. A estimativa é a de que, nos próximos 30 anos, haverá 6% a menos de pessoas trabalhando e 250% a mais de pessoas recebendo benefícios da Previdência Social. É um cenário em que, irremediavelmente, ela estará quebrada.

 

 

Na sequência da Reforma da Previdência, precisaremos concentrar esforços para que também sejam feitas as reformas tributária e política. Ambas são igualmente fundamentais para que possamos transformar o Brasil e ingressar em um novo ciclo de desenvolvimento, sustentado por instituições sólidas e modernas. Somente assim poderemos crescer de forma duradoura, e não com voos de galinha.

 

 

Pagamos um preço muito alto por termos adiado por tanto tempo as reformas estruturais – e pagaremos uma conta ainda mais elevada se não as fizermos agora. Está em nossas mãos viabilizá-las: em 2018, teremos eleições para legislativos estaduais, Câmara dos Deputados, Senado Federal, governadores e presidente da República. Nossa missão é escolher líderes que, efetivamente, tenham compromisso com o país.

 

 

OLAVO MACHADO JUNIOR é presidente do Sistema Fiemg.

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