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feDe novo o carnaval. Nem saiu o bafo de Réveillon ainda… Festa de origem católica, marcada a partir da Páscoa. Festa das máscaras. Festa da ‘carne’. Vale tudo. Festa do prazer. Sexo, samba e cerveja… E como rolam tantas drogas além do álcool… O ser humano se esconde o ano inteiro atrás das máscaras que ninguém vê – do ‘faz de conta que eu sou’ – da persona. Quem tiver coragem de dizer que nunca usou nenhuma máscara está acabando de pregar uma na cara: a da mentira. Com nossas máscaras levamos a vida num verdadeiro teatro. No carnaval o folião vira o próprio teatro. A maioria se revela na sua própria identidade. Fantasias, figuras de enredos, roupas de qualquer estilo. Homens se vestem de mulher; mulheres se vestem de homem… Esta maneira de representar, considerando que no carnaval vale tudo; esta desculpa esfarrapada, como no bloco dos farrapos, muitos botam a manguinha de fora, mostram tudo que estava escondido, como que ‘de brincadeirinha’. E a plateia aplaude e ri: que gracinha… Nesta festa pode. Censura já era e ninguém se preocupa mais com isso. A multidão fica cheia de ‘andorinhas’ e ‘gaviões’. Muitos relacionamentos desfeitos. Homem beijando homem e mulher beijando mulher. Mas, isso é carnaval!… Muitos se escondem mais ainda atrás de máscaras verdadeiras de papel, mas outros se revelam. Muitos se expõem pelo verdadeiro papel que vivem na vida real. Aqueles desejos camuflados são todos revelados. Grande oportunidade para as pessoas viverem o que de fato são. E quanta gente sai do armário… E no dia a dia, fora do carnaval, seu armário está cheio de máscaras para serem usadas de acordo com a conveniência. No carnaval quem sai é a persona. Cuidado! As máscaras do dia podem cair a qualquer hora e mostrar a sua cara lavada. E a sua máscara de carnaval pode revelar o seu verdadeiro ego, seu verdadeiro eu, aquele que é o seu verdadeiro inimigo (e depois não vai dizer que foi o chifrudo) e você entrar num caminho destrutivo sem volta… E se arrepender de remorso… E lambuzar de cinza da quaresma para viver de penitência… E ficar ‘com a boca escancarada cheia de dentes’, amargando e ‘esperando a morte chegar’… Prepare-se, porque ‘as águas vão rolar’…

emanuelbmatos@gmail.com

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