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feMinha mãe Nídia completou 87 anos no dia 27 de março. Maravilha! Ela é meu esteio, meu exemplo de vida, meu porto seguro. Ninguém consegue imaginar o tanto que amo esta mulher. Eita mulher brava, sô! E franca, a tal ‘franqueza espanhola’ que já mencionei. Já tomei muita surra de correia de botão, que já ficava dependurada atrás da porta; chineladas, varas de marmelo, castigos… E estou aqui, vivinho da silva, mais firme que não tem jeito. E só posso agradecer a ela pelos corretivos… Poucos sabem que os corretivos são normas bíblicas. Já escrevi que devo a ela a intimidade que tenho com o Deus em mim. Ela ensinou-me, desde pequenino a conversar com tal “Nosso Senhor”, que eu nem sabia quem era, mas que eu tinha certeza que me ouvia. Desde pequeno aprendi a sentir este Deus em mim ou Deus conosco (que por sinal é o meu nome) – “Cristo em mim, a esperança da glória” (Colossenses 1:27). Na Missa da gruta, em comemoração ao seu aniversário, fiquei observando toda a ritualística. Até acho bacana, é da tradição. Tinha turíbulo com incensário, coroinhas, meninos e meninas, vestidos a caráter, e até aqueles sininhos de alerta das celebrações. Ouvi os textos do Antigo Testamento e depois o Evangelho. Interessante, falava-se de conversão. Na gruta fala-se sempre de conversão. E foi o que João Batista pregou. Jesus, Paulo e Pedro também pregaram. Mudança de mente + fé. Isto é conversão. O pregador (Fabio meu irmão, quase bispo) citou um fato interessante: “Jesus nunca disse que era Deus”. Ele se intitulava filho de Deus e quase foi apedrejado por isso. E tentando se defender, disse para os que gritavam “blasfêmia”, citando o Salmo 82:6: “Vós sois deuses, e todos vós filhos do Altíssimo”. E escapou das pedradas… Sei que alguns poderão perguntar: ‘Uai, mas você foi à missa?’ Claro que fui, por que não? Não sou adepto de rituais, de dogmas, de liturgias, sempre digo isso. Não gosto de exterioridades. Mas, daí deixar de participar de um evento por intenção da minha mãe? Nem pensar. Aquele encontro de família, com o próprio celebrante, meu professor de educação física, hoje Padre Nilo, o coral onde eu também participava e até participei de algumas cantorias lá. E a fé expressada pela minha mãe… Como ela mesma disse ao final: “Minha vida foi totalmente dedicada a Deus, ao Seu serviço, Ele concedeu-me 12 filhos, 12 apóstolos, que deverão continuar a minha obra”… Só fiquei pensando, qual de nós será o Judas? Sou testemunha de que minha mãe sempre teve vida intensa de oração. Sua espiritualidade é invejável. Muitos pensam que eu sou diferente demais dos Braz de Matos, que até sou ateu, por ser irreligioso. A fé que eu tenho é de sintonia (da palavra fides, fidere = fidelidade) – Wi-Fi – eu e Ele, dentro de mim, em constante comunhão. Não tenho fé de troca por nada. Esta fé é crença religiosa, chamo até de paganismo. Evangélicos a usam muito assim. E vejo tanta crítica de movimentos protestantes contra o catolicismo. Alguns até chamam a igreja Católica de Babilônia. Que bobagem. Gosto do que o Caio Fábio escreveu: “O Protestantismo é um Catolicismo que fez dieta, e no decorrer do tempo foi ganhando peso”. Nossa, o que os protestantes andam aprontando por ai! Credincruis! Nem todos, é claro. Após a Missa nos reunimos na casa da Matriarca e foi festa total. Só alegria. Minha mãe com aquela carinha boa, de sempre, oramos, cantamos e ela soprou as velinhas. Teve até o “com quem será”! E ela fica toda sorridente. Parabéns, mais uma vez, à ‘minha mãezinha querida/ mãezinha do coração./ Te adorarei toda vida,/ com grande devoção…” Foi o que cantei para ela no seminário… Mãe Nídia, peço-lhe a bênção…

 

Emanuel e familia missa mãe

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