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03-Porque-a-fe-prejudica-o-individuo
Continuando a ruminação da semana passada sobre o dinheiro como regulador do humor das pessoas. E que é um grande gerador de ansiedade. A Bíblia trata muito bem de assuntos sobre o dinheiro, ele até vira uma espécie de ‘deus’, recebe até um nome: “Mamon”. Algumas bíblias traduzem este nome como sendo o próprio diabo. O dinheiro em si não é mau, nem poderia ser. Ele move a economia do mundo. O problema é o lugar na vida onde a pessoa coloca o dinheiro. A Bíblia fala que “o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males” (1 Tm 6:10). Portanto, o problema está no foco: ‘amor ao dinheiro’ e não é questão de ser mau ou bom. Eu até preferia dizer ‘paixão’ e não amor. É mais patológico. O problema é que o dinheiro dá poder às pessoas. Pessoa que era um ‘zero à esquerda’, que sofria de preconceitos dos outros, da sociedade, por ser iletrada, de nível social “inferior”, ou negra, ou sem elegância, ou que morava em bairros considerados ‘marginalizados’ ou pobres, quando enriquece, não interessa de que forma foi, torna-se importante e é tratada com todos os privilégios pelos mesmos que a discriminava. E o pior, esta pessoa passa a ser o ‘rei da cocada’. Como pode? A pessoa não mudou, mas ficou rica. Vemos o dinheiro dar poder, status, prestígio social. O dinheiro e não a pessoa é elevada à categoria de ‘deus’. Cansamos de ouvir por ai “dinheiro não traz felicidade”. Quando ele é tido como um deus, nunca poderá trazer mesmo. Mas, uma pessoa com muito dinheiro poderia ajudar tanta gente, poderia ter uma vida de conforto (não luxo), não ter pre ocupações com ‘contas a pagar’… Pode ter tudo do bom e do melhor. Mas, quando vive no seu egoísmo, no seu egocentrismo e passa a ser escrava do ‘deus dinheiro’… Nunca será feliz. Nossa felicidade se encontra em nós mesmos, em quando descobrimos um sentido para a nossa vida. E isso nada tem a ver com o dinheiro. Quando temos o suficiente para cumprirmos com nossas obrigações já é o suficiente. O rei Salomão, além de sábio, foi considerado o homem mais rico do mundo na sua época. Mas, pelo que parece, não era feliz. Ele mesmo disse: ‘quem ama as riquezas jamais ficará satisfeito’ (Ecl 5:10). Ou seja, nunca, por mais que tenha, ficará satisfeito, sempre quer mais, e mais, e mais… Alguns ricos quanto mais dinheiro ganham, menos proveito tem do dinheiro, guarda mais, gasta menos, fica ‘pão duro’ e sua vida vira um ‘saco’ sem fundo, para não dizer ‘uma merda’. Na minha vida profissional de Odontologia, nestes 45 anos de profissão, dos poucos canos que tomei de pacientes, a maioria era rica. Os mais pobres, assalariados, que viviam com o dinheiro contadinho para o fim do mês, sempre foram os melhores pagadores. Honestos e pontuais. Rico na maioria das vezes só paga atrasado, e na maioria das vezes porque foram cobrados. E quando pagam… Depois inventam desculpas mirabolantes. E nem ficam com a cara vermelha… Dentro da sua casa, a afetividade do rico, muitas vezes, é com o cofre, com o cheque e cartão de crédito. Não são poucos que costumam gritar para a família: ‘dentro desta casa eu não passo de um contracheque’… É que o amor deles é o dinheiro e não a família. E como dinheiro traz ansiedade e preocupação… Eita. Eu é que estou ficando muito ligado ao dinheiro. Para com isso! Mas, se a Mega sair pra mim não ficarei triste, depois eu faço psicanálise para não ter uma relação passional com a grana… Fui.

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