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feNão sou de frequentar missa de 7º dia devido às minhas convicções. Não quero entrar em detalhes aqui. Independente do que eu penso sobre o fato religioso em si, vejo este período de 7 dias um tempo de luto dos familiares de muita importância, principalmente quando há parentes que moram fora e esta é uma oportunidade para ficarem reunidos nestes dias, curtindo a dor da perda daquela pessoa amada. E no sétimo dia exatamente, os católicos cristãos têm esta data simbólica que marca a divisão entre o tempo doloroso da morte e o tempo de voltar à vida normal de cada um, pois o tempo não para e a vida continua. Vejo também uma demonstração de solidariedade social dos amigos mais chegados e parentes, que se reúnem ali para uma entrega definitiva daquela pessoa para o seu descanso eterno. Por que descanso? Por que esta data surgiu na Igreja Católica figurada na passagem bíblica do Gênesis 2:2, onde depois de feita toda a obra em 6 dias, Deus descansou no 7º dia. A base da fé cristã é a Ressurreição e é importante neste momento que os participantes creiam nisso, senão passa a ser apenas um ato meramente social. A comunidade cristã dos primeiros tempos se reunia para realizar as exéquias, ou seja, orava celebrando a esperança cristã na vida eterna, baseado na ressurreição de Jesus. Não deixa de ser confortável para os que ficam porque sentem que a pessoa falecida não acabou simplesmente, mas está apenas passando para outra dimensão, principalmente para o céu. E na Igreja Católica, o ponto central das exéquias é a Missa. Um ato da fé católica. Por isso a Missa de 7º dia. Padre Quevedo, se é que entendi bem, disse que durante 21 dias o falecido fica rondando o corpo físico, ou seja, provavelmente fica por ali no velório e depois acompanhando a família enlutada. Disse que espírito não existe e sim corpo animado (com alma = ‘soprou-lhe nas narinas e se transformou em alma vivente’ – Gn 2:7) e depois corpo ressuscitado. Ele fala: corpo e alma; espírito e matéria – numa peça só. Pelo que entendi nas palavras dele, já faz muito tempo o curso, o que eu chamaria aqui de alma, fica vagando por perto até estar num corpo ressuscitado. Não que eu acredite nisso, estou apenas citando uma informação que recebi num curso que fiz com ele há anos. Ele disse que entre a morte clínica, em que o cérebro apaga, a pessoa vai morrendo aos poucos e ao mesmo tempo ressuscitando, ate que morra tudo e a pessoa ressuscita inteira. Isso ele fala que acontece numa média de 21 dias. E ainda acrescenta que pode observar que as unhas, cabelos, barba continuam crescendo neste período. Ele ainda diz, a pessoa não está morta – está morrendo e ressuscitando! E se baseia numa carta de Paulo, não sei o endereço agora, onde ele disse: “Nós não morremos, nos transformamos à medida que vamos morrendo, num corpo corrompido, vamos ressuscitando num corpo incorruptível, vamos morrendo num corpo de trevas e vamos ressuscitando num corpo de luz…” É muita maluquice pro meu gosto. Mas, é apenas para informação. Estive na missa de 7º dia da nossa querida Cláudia. Impressionou-me a quantidade de pessoas. Muito bacana a cerimônia. E a sobriedade emocional do Irdevan, dos seus filhos e nora, da mãe e irmãos da Cláudia, dos outros parentes, impressionou-me. Fiquei emocionado pela maneira realista que souberam encarar este passamento. Irdevan deu um testemunho no final, falou dos seus 41 anos de casados, da união que prometeram além do ‘até que a morte nos separa’, e numa paz e tranquilidade que surpreendeu a todos. E depois aquele santinho da lembrança, sem retrato e com várias receitas que a Cláudia praticava todos os dias – a especialidade dela. Bem típico do meu querido “irmão” mais velho… Gostei e já vi gente até xerocando para usar em casa. O amor não marca uma data para ser comemorado. É no dia a dia. Meus queridos se foram, mas continuam na minha lembrança em cada coisa que acontece e me remete a eles. Por isso, para aqueles que acreditam que vale a pena orar pelos mortos, faça-o, não custa nada e quem sabe dá certo? Tudo é especulativo, cada qual com cada qual. Ninguém tem o direito de julgar ninguém. Então seja você mesmo e faça o que lhe aprouver. Só sei que nada sei e que passei desta vez tão diferente e com uma experiência interessante, embora muito triste, ruminei muito sobre a morte e o morrer…

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