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feFesta de Santana em Itaúna. Uma semana. Do meu quarto aqui pertinho da Matriz de Itaúna ouvi todas as bandas de shows na praça. Tocam lá dentro da minha casa. Ouvi as rezações, os cerimoniais… No sábado, ouvi uma banda estilo Beatles que me tocou profundamente. Vozes e instrumentação perfeitas. Que boa lembrança dos meus tempos da minha banda ‘Os Penetras’. No domingo, subindo a rua para as barraquinhas, deparei-me com o vigário Padre Francisco e me apresentei a ele. Não o conhecia. Parece gente boa. Disse que lê meus artigos… Tomara que não me veja como rebelde… Fui para as barraquinhas e fiquei analisando a religiosidade do povo. É curioso. O povo gosta da farra. A banda de música, uniformizada, jovens homens e mulheres e tocando músicas ‘do mundo’. Muito bom. E depois a procissão. A comissão de frente era feita de coroinhas fantasiados de vermelho (verdadeiros padrecos) e havia meninas (no meu tempo não podia = evolução…), que balançavam seus turíbulos. Na ala logo atrás desfilava o clero. Tinha até o Pe Gilmar de Juatuba. Em seguida, a alegoria de Santana, no seu andor e logo depois a ala dos Ministros… No átrio da Igreja estava Dom Luiz Mascarenhas, o comandante da Liturgia e cantor do coral, segundo me disse. Doidinho para estar na ala do clero… No coral dentro do templo havia um sósia meu, o Marcélio Inseparável da Coaço, soprando o seu sax de ouro. Muito divertido tudo isso. Engraçado que a procissão estava relativamente vazia, porque alguns não queriam largar os comes e bebes da barraquinha e outros correram para marcar lugar dentro do templo para a hora da missa e outros para marcar lugar nas cadeiras para o show. Puxa a orelha deles, sô padre. E a missa era transmitida para os diversos telões espalhados pelas barraquinhas e no centro da praça. No meu tempo era tudo tão diferente. Acho que havia mais beatice e cantorias do povo. Tinha até o Lauro do Jobito com fita no pescoço e terço na mão… Nas barraquinhas alguns reclamavam que não vendiam mais cerveja, que se assim o fosse haveria muito mais gente e mais lucro… Outros disseram: foi só o Pe Amarildo sair daqui que pararam de vender cerveja. Será que é pecado beber cerveja? Católico pode, uai. Só crente que não bebe… Tinha até a ‘Loja do diabo’, segundo alguns, pois só tinha coisa de tentação para engordar gente… Só doces e tortas. Até os netos e bisnetos da Dona Nídia estavam lá de toquinhas e luvas vendendo as guloseimas. Encontrei um churrasquinho de porco morto lá, com tempero e farinha, nu! Delícia. Pena que só tinha refrigerante para empurrar a massa… Eita trem divertido. Bom demais ficar observado pessoas. Dom Luiz me viu lá e falou-me que eu estava com saudade, estava beirando e que esperava o meu retorno (só porque fui seminarista, uai) e que eu ia acabar me convertendo… Tenho que rir. Conversão. Já cansei de escrever que é mudar a maneira de pensar e entrar em sintonia com Deus. Metanóia + Fé. “Cristo em vós, a esperança da glória” (Cl 1:27). Conversão não é mudar de religião, mudar de igreja. É mudar de mente, mudar de vida, mudar de pensamento. Liberdade é o que todos buscamos e nesta busca todos acabamos ficando presos. Estava eu lá em festa católica. Sou livre e não tenho preconceitos quanto a lugares. “Foi para a liberdade que Cristo nos libertou” (Gl 5:1). E mais, “onde está o Espírito, aí está a liberdade” (2 Co 3:17).. Sair de uma Instituição religiosa que não concorda mais para ingressar-se em outra é trocar de problema. É desaprovar uma não-liberdade para entrar em outra. Eu que ainda continuo cristão concluí que a única liberdade é a liberdade EM CRISTO. E que não há como amar a Deus se não for através do próximo. Amo gente. Adoro a diversidade. A barraquinha é uma festa boa. Lembro-me dos tempos do Mineirinho, meu tio, que rodava um Bingo na barraquinha e era muito engraçado. Aliás, deveriam voltar com o Bingo. Dá lucro. As prendas são de doações. Eu só sei que a vida é uma festa, com barraquinha, sem barraquinha, com procissão, sem procissão, com cerveja, sem cerveja. Vivamos o momento… Vivamos o instante… Fui.

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