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feÉ, passou o dia do meu aniversário. Já deitado na minha cama, no embalo carmim do Biter gelado com um limão gotejante cortado à francesa, fiquei ali, olhando pro teto, na penumbra e observando que já era mais de meia noite, e meu dia já não era… Gerei uma expectativa da data… Chegou… Passou… Acabei de subir mais um degrau na escada da vida. Fiquei mais velho. E não doeu nada! Caramba, mas são 67 anos de existência! Nossa, são muitos degraus… E eu que achava gente de 40 anos muita velha… Como diria o Professor Masca: “Tempus Fugit”… Todo dia é sexta feira, credo! Fiquei tentando uma retrospectiva dos tempos passados. Não sou muito chegado a ficar relembrando o passado, já passou, já morreu, não há como revivê-lo. “Tempo passado não volta mais”, como dizia o meu pai Jobitão. Fiquei pensando quanto tempo perdido na minha vida ocupando-me com bobagens, com mesquinharias, com viver no pensamento do outro. Não valeu a pena. Tudo passa depressa demais. Complicamos tudo, cheio de frescuras, de mágoas, de ciúmes, de ressentimentos… Tudo é tão simples. Ninguém pode nos fazer infeliz se não deixarmos. Tudo está no nosso pensamento. E o futuro? Albert Einstein escreveu: “Nunca penso no futuro, ele chega rápido demais”. Não é? O futuro é um grande gerador de expectativas. Pior ainda quando são catastróficas, temos até depressão… Tenho presenciado pessoas muito próximas a mim com doenças incuráveis, com prognósticos duvidosos e cada vez mais me convenço que devo viver o hoje intensamente. Agora mesmo, antes de começar este texto, soube de um amigo nosso que morreu de acidente automobilístico próximo ao Triângulo Mineiro. Nossa! Em plena vitalidade, mais jovem que eu. É lamentável. Agora, não se pre-ocupar com o futuro não quer dizer que devo ser protelador, deixando tudo para amanhã. Este amanhã pode não chegar… E se chegar, com o acúmulo dos anos, já sem forças para fazer nada e aí, ficar com aquela culpa de não ter vivido tanta coisa que agora não dá mais para viver… Está tudo enferrujado. Custando a andar. As dobradiças estão emperradas. Agora surgiu um grande “Condor” (dor aqui, dor ali, dor acolá). O tempo é muito curto. Só tenho o agora, quero curti-lo, vive-lo intensamente, dançar, cantar, tocar um violãozinho, amar, beijar, ter prazeres diversos, ter boas contrações dos músculos pélvicos… Não ligo mais se as pessoas falam que sou meio doidão, ou que sou isso ou aquilo. ‘Tô nem aí’… É como o Stanislau Ponte Preta transliterou na mesma língua numa linguagem mais clássica: “Pouco se me dá se a onagra claudique, o que me apraz é acicatá-la”… Fui.

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