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feDaniel, meu filho, quando era proprietário da Central Som, juntamente com o Luiz Local, como grande músico que é, cantor e arranjador, gravou vários CDs infantis personalizados, onde inseria nas gravações em estúdio, o nome da criança que encomendava o CD musical e também de histórias. Fez muito sucesso com estes CDs. Depois venderam os direitos para uma empresa de Belo Horizonte, que criaria também imagens em cima da ideia. Havia uma gravação interessantíssima, onde a criança que estava para nascer conversava com Deus lá no céu e com o anjo Gabriel e ficava escolhendo a mãe que ele queria que fosse a dele e projetava a sua história de vida em comum acordo com Deus. É até emocionante e a mãe quando ouve o CD tem a sensação de que foi escolhida pelo seu filho, em comum acordo com Deus. Fiquei pensando: Se cada um de nós pudesse realmente ficar lá de cima escolhendo o nosso nascimento, considerando, obviamente, que ainda estávamos apenas em espírito, como seria? O que nós hoje, que estamos numa situação definida, escolheria para ser para recomeçar do zero. Minha cabeça ruminou mil coisas intrigantes. Quase não consegui dormir nesta noite… E ficava projetando ideia para as pessoas. Terrível isso… Será que cada um está satisfeito com o que é? Será que queríamos nascer do mesmo jeito que nascemos? Com o mesmo cabelo? Mesma cor de olhos? Mesmos dentes? Com a mesma altura? Escolheria ser branco, negro, amarelo ou índio? Na mesma família, no mesmo sexo, na mesma raça, no mesmo status social? Se nós dizemos que não temos preconceito, por que agora iríamos querer nascer diferentes? Será que poderia nascer gay, ou lésbica, ou bissexual? Ou aleijado? Sei que isso tudo é congênito… Eu, pensando nas minhas maluquices e dificuldades desde que nasci: minha timidez, meus complexos de ‘tudinho da vila Mozart’, minhas buscas incessantes – qual seria a minha escolha? Fiquei com medo de pensar nisso a meu respeito. Mudei o foco. Fiquei com certo complexo de culpa… A única coisa que eu podia saber é que eu nasceria pelado e desdentado e chorão… De cara pensei que queria nascer no Brasil mesmo. Nascer naquela região maluca dos muçulmanos, nem pensar… Naquela região de terremotos e tisunami, nein… Meu país é o melhor do mundo, não quero outro. Só precisa de uns acertos políticos, democráticos e financeiros e maior distribuição de renda. Mas, pensando bem, decidi que queria nascer eu mesmo. Fui privilegiado. Pais maravilhosos, onze irmãos fantásticos com seus pares, ‘milhões’ de amigos, como disse o Roberto Carlos, nenhum problema de saúde, filhos extraordinários, netinhos adoráveis… Bem sucedido profissionalmente… Não queria ser diferente. Já pensou se escolho errado e só dá zebra… Estou feliz assim. Deo gratias. Fui.

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