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UntitledOs jornais de hoje estamparam manchetes sobre o novo piso salarial a ser pago aos professores. Nenhum professor do Brasil poderá ganhar menos que o valor fixado em exatos R$ 1.917,78.

 
A fortuna vale para uma jornada de quarenta horas semanais. Assim receberão cerca de dez reais por cada hora trabalhada. É muito? Reitere-se que para fazer jus a exorbitante quantia deverão trabalhar quarenta horas por semana.

 
Hão de dizer que todos os trabalhadores brasileiros têm jornada de quarenta ou quarenta e quatro horas semanais. Isto não corresponde à verdade, basta verificar uma extensa lista: médicos, dentistas, arquitetos, engenheiros, psicólogos, advogados, militares e o famoso etecetera que tem carga horária quase sempre de vinte horas semanais (para um cargo). E quanto ganham? Ah! Deixa prá lá!

 
O piso anunciado não agrada a quase ninguém. Professores sabem que o valor é insuficiente e os governantes entendem que os recursos financeiros municipais e estaduais são insuficientes para pagar suficientemente os tais valores.

 
Guerra é guerra. O próprio ministro da educação quando foi governador do Ceará entrou com ação no Supremo Tribunal Federal contra o piso, pois segundo sua justificativa, vários estados brasileiros não dariam conta de pagá-lo.
Aos críticos do valor anunciado é preciso lembrar que se trata do mínimo e não do máximo. Os prefeitos e governadores que entenderem que é pouco, estão liberados para pagar duas, três, cinco, dez vezes mais. Não podem é pagar menos.

 
E aqueles que não cumprirem com o disposto, pagando menos que o piso? Aí vale as palavras do senhor ministro da educação: entrar com ação judicial obrigando o cumprimento da obrigação.

 
A luta de quase todos os secretários municipais e estaduais de educação não pode ser ignorada. Com raras exceções são profissionais do ensino e querem a valorização dos professores. Onde esbarram? Quase sempre nas secretarias de finanças e planejamento, que alegam não ter dinheiro para tanto.

 
O piso é baixo, baixíssimo. O teto, bem o teto é como o céu, quase infinito, pois tem a troposfera, a mesosfera, a ionosfera, a estratosfera…

 
Prefeitos e governadores, não se acanhem, não se prendam ao piso, que na verdade é irrisório. Pensem alto, sonhem alto, pois a construção de uma sociedade justa e igualitária começa pelo piso, mas sua edificação tem paredes e tem teto.

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Heli Maia é advogado, professor da rede particular e professor concursado e efetivo da rede pública estadual; é graduado em Ciências Sociais e Direito; é pós-graduado em História e mestre em Direito; é autor dos livros “Bullying” e “Atividade empresária e sustentabilidade ambiental”. Contato: helismaia@yahoo.com.br