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telhado-de-vidro-quebrado_19-98340Há quem jure de pés juntos que o PSDB é o Partido dos Santos Do Brasil. Corruptos são os outros, quadrilheiros são os outros, ladrões são os outros, incompetentes são os outros. Seus parlamentares, governadores, prefeitos e gestores são a mais perfeita e acabada forma de lisura. É assim que se veem.

 
O PT está literalmente no fundo do poço – não só do petróleo, mas também da moralidade administrativa, ou na expressão da moda, na forma republicana de administrar. Infelizmente não está sozinho.

 
No escândalo do petrolão apareceu o nome do ex-presidente do PSDB, deputado Sérgio Guerra. Bom de briga mas cansado de guerra não poderá se defender, pois faleceu.

 
No escândalo do cartel de trens em São Paulo a notícia do jornal O Globo, publicada no final de 2014 é sintomática: a Polícia Federal indiciou 33 pessoas no inquérito que investiga a formação de cartel em licitações no metrô e na companhia de trens no governo de São Paulo, entre 1998 e 2008, período em que estado era administrado pelo PSDB. As irregularidades nas licitações provocaram prejuízo de R$ 834 milhões aos cofres públicos. Os indiciados, em processo que corre sob segredo de justiça, são acusados pelos crimes de corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, formação de cartel e crime licitatório.

 
Dirão os críticos do PT: o que é isso perto do mensalão petista e do escândalo na Petrobrás?

 
A imprensa alternativa não se cansa de lembrar o mensalão, não o mensalão do PT, mas o mensalão tucano? Quem se lembra dele?

 
De novo dirão os críticos do PT: o que é isso perto do mensalão do PT?
No popular: o buraco é mais embaixo.
O Jornal do Brasil do último domingo deve ter tirado o sono do arauto da moralidade Aécio Neves ao noticiar o seguinte: o ano de 2015 promete ser o início de uma forte dor de cabeça para o senador Aécio Neves (PSDB-MG).

 

Várias Comissões Parlamentares de Inquéritos (CPIs) estão na mira da antiga oposição da Assembleia Legislativa para investigar tanto a gestão do parlamentar mineiro, que governou Minas de 2003 a 2010, como a do seu correligionário e sucessor, Antonio Anastasia, eleito senador neste ano.

 
E o que possivelmente será investigado? A não aplicação do mínimo determinado pela Constituição na educação com defasagem de R$ 8 bilhões em recursos que deveriam ter sido aplicados na área nos 12 anos de governo tucano em Minas. A CPI da Saúde também investigará uma defasagem em torno de R$ 8 bilhões no setor. Outra CPI: investigação sobre a construção da Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves, sede do governo mineiro, entregue em 2010. A obra teve um custo de R$ 600 milhões, porém a despesa final alcançou R$ 1,2 bilhão, o dobro do valor inicial. Mais: CPI do Mineirão. Mais outra: CPI das verbas publicitárias. Outra ainda: CPI do IPSEMG, de onde teriam saído 250 milhões de reais e levados para o caixa único do governo. Na lista também uma possível CPI do famoso Aecioporto, ou o aeroporto da família Neves em Cláudio. E tome outra, mais outra, e…

 
É possível que tudo acabe em pizza, como foi o mensalão tucano e o rumoroso caso da chamada privataria tucana, que segundo cálculos do livro de mesmo nome, deu um prejuízo ao Brasil de dois bilhões e quatrocentos milhões de reais.

 
É possível que tudo acabe em pizza, como foi o escândalo da compra de votos para a reeleição do tucano Fernando Henrique Cardoso, como se vê na reportagem da Folha de São Paulo do dia 16/06/2014: “confissão gravada de 2 deputados federais do Acre que diziam ter votado a favor da emenda da reeleição em troca de R$ 200 mil recebidos em dinheiro. Outros três deputados eram citados de maneira explícita e dezenas de congressistas teriam participado do esquema. Nenhum foi investigado pelo Congresso nem punido”.

 
Por tudo isso encerra-se o artigo com as sábias palavras do ditado popular que diz “quem tem telhado de vidro, não atira pedra no do vizinho”.

 
Telhados de vidro existem, mesmo no Partido dos Santos Do Brasil, no PT e talvez nos outros trinta partidos brasileiros. Em todos eles existem santos e demônios, mesmo que os defensores do PSDB não concordem e insistam que ele tem o monopólio dos santos e dizendo que ele atua como exorcista.

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Heli Maia é advogado, professor da rede particular e professor concursado e efetivo da rede pública estadual; é graduado em Ciências Sociais e Direito; é pós-graduado em História e mestre em Direito; é autor dos livros “Bullying” e “Atividade empresária e sustentabilidade ambiental”. Contato: helismaia@yahoo.com.br

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