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pedestre-em-sao-pauloQuem abriu o Jornal Spasso, edição do dia 17/01/2015, viu na página 8, na coluna Pimentas, bem escondidinho, algo curioso. Lá está: “era uma cidade muito engraçada…não tinha nada…mas era asfalto por todo lado, comprado a prazo, superfaturado”. Em seguida no mesmo jornal, mesma edição, mesma página, mesma coluna está: “Enquanto a Globo volta com o Rei do Gado, a novela que rola na cidade é o Rei do Asfalto. Com direito a pagar, depois da carência, um endividamento de 27 milhões…”. (Grifei)

 
Verdades ou inverdades nas entrelinhas?

 
Diz Rubem Alves “Ah! Como as entrelinhas são importantes! É nelas que estão escritas as coisas que só a alma pode entender.”
Também se refere às entrelinhas a grande e imortal Clarice Lispector. Ela diz: “mas já que se há de escrever, que ao menos não se esmaguem com palavras as entrelinhas. O melhor ainda não foi escrito. O melhor está nas entrelinhas”.

 
Outro famoso que entende de entrelinhas é o escritor e padre Fábio de Melo. Sobre o assunto, assim ele se manifesta: “nas entrelinhas é que dizemos. Bom terapeuta é o que escuta o que omitimos.”

 
As linhas, as palavras explícitas não dizem o nome da cidade, mas há quem entenda tratar-se de Itaúna. Será? Eis que aparece algo gravíssimo. Nas entrelinhas está a denúncia da aquisição de asfalto “comprado a prazo, superfaturado”. Valor: vinte e sete milhões.

 
Diz o provérbio popular: para quem sabe ler, um pingo é letra.

 
Ora, ora…Os responsáveis pela fiscalização do Poder Executivo da “cidade engraçada” e que tem o “rei do asfalto” não podem ficar silentes, complacentes, meditativos.

 
Quem fiscaliza o Poder Executivo da Cidade Engraçada? Os vereadores. Espera-se deles que “mexam os pauzinhos” e atuem com vigor e rigor para esclarecer o assunto, para que a luz seja feita. Nada de condenar ninguém previamente como muitos gostam de fazer. A todos devem ser garantidos o contraditório e a ampla defesa.

 
Alguns dizem inclusive, é caso para Comissão Parlamentar de Inquérito. Será? Ora, ora…
Quem acompanha a política de Itaúna – será a cidade engraçada? – lembra-se que em passado recente gestores da demonizada administração municipal anterior foram alvos de ação de improbidade administrativa movida pelo combativo Ministério Público por algo semelhante: asfalto. Defendem-se com argumentos considerados sólidos.

 
E agora?
Será que os mesmos que denunciaram os ex-gestores vão ter hombridade suficiente de dar nome ao “rei do gado”, quer dizer ao “rei do asfalto”? Resposta: dê, u, vê, i, dê, a. Dúvida. Duvida-se.
Espera-se que os vereadores e os membros do respeitado Ministério Público atuem para que se saiba se a cidade engraçada é Itaúna, se o asfalto foi superfaturado e o que o Rei do Asfalto tem com isso. Aliás, asfalto vem de petróleo, petróleo rima com Petrobrás, que por sua vez acabou desencadeando a Operação Lava Jato.
Se o assunto cair no esquecimento a cidade engraçada virará a cidade tristonha.

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Heli Maia é advogado, professor da rede particular e professor concursado e efetivo da rede pública estadual; é graduado em Ciências Sociais e Direito; é pós-graduado em História e mestre em Direito; é autor dos livros “Bullying” e “Atividade empresária e sustentabilidade ambiental”. Contato: helismaia@yahoo.com.br

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