COMPARTILHAR

logo_PBMCUm esforço de quatro anos envolvendo 360 pesquisadores de universidades e centros de pesquisa brasileiros produziu o primeiro Relatório Nacional de Avaliação do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (RAN 1/PBMC). O relatório se parece muito em formato, conteúdo e método com o relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) e traça um quadro das mudanças climáticas em curso no Brasil e seus impactos. E indica nossas vulnerabilidades e as necessidades de adaptação e aponta caminhos para o Brasil contribuir para a mitigação através do crescimento de baixo carbono.

 
O RAN — ou pelo menos o seu sumário executivo — deveria ser leitura obrigatória nas faculdades e universidades, nos escritórios de engenharia, arquitetura, construção e agronomia, nos consultórios médicos e hospitais, nos ministérios e secretarias de Energia, Planejamento, Economia, Agricultura e Meio Ambiente e por todo interessado em politicas públicas de longo prazo para o bem-estar e a sustentabilidade do país.

 
As mudanças climáticas afetam todas as regiões do país com implicações econômicas, sociais, ambientais, política e culturais marcantes e com consequências para a evolução de praticamente todas as profissões.

 
Os extremos climáticos estão desafiando séries históricas de várias décadas tanto em temperatura do ar como precipitação, ventos, períodos de seca, umidade do ar e outras dezenas de aspectos. Perguntas como onde, quando e que variedade plantar de café ou milho ou qual o nível sustentável de captação de água de um reservatório estão cada vez mais difíceis de responder com base nestas séries históricas estacionárias. Os cenários apresentados pelo RAN 1 e o IPCC mostram que precisamos considerar séries não estacionárias mesmo considerando todas as suas incertezas.

 
Os engenheiros, economistas, biólogos e toda sorte de profissionais têm que passar a considerar de forma sistemática os cenários de mudanças climáticas no processo de planejamento, implementação, manutenção e restauro de infraestrutura, serviços e sistemas produtivos no Brasil.

 
A leitura atenta destes relatórios e o aprofundamento do conhecimento das várias áreas apontadas pelos pesquisadores — como impacto das mudanças do regime de chuvas sobre produção de energia e oferta de água para agricultura e para o consumo humano — são condição fundamental para reduzir a vulnerabilidade e ampliar a resiliência do Brasil frente às mudanças do clima.

 
Fonte: O Globo

COMPARTILHAR
Marcos de Paula Júnior é biólogo formado pela Universidade de Itaúna/2007, especialista em Microbiologia pela PUC-Minas/2011. Lecionou no estado do Pará na escola técnica SOTER 2007 à 2009 onde também morou com Índios da etnia Kyikatejê, desenvolvendo trabalhos de pesquisa em etno-ciência e educacão de 2007 a 2009. Professor na escola técnica Cecon – Itaúna/MG desde 2010, e sócio e consultor ambiental na empresa Ética consultoria.