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secaO déficit de chuvas aumentou nas últimas décadas em quase todo o Brasil, o que vem dificultando o armazenamento de água em quatro das cinco regiões do país, especialmente no Sudeste que já está no “cheque especial”, segundo pesquisadores do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

 
A constatação foi feita depois de levantarem dados de registros de chuva no país entre 1960 e 1990 e compararem com os números atuais para estimar qual o atual “saldo da conta bancária de água” do país.

 
Os estudos foram apresentados na 67ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que aconteceu no campus na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), na semana passada.

 
As projeções indicaram que a região Norte possui um saldo negativo de 6 metros cúbicos (m3) por metro quadrado (m2).
A região Nordeste tem um déficit hídrico em torno de 4m3 por m2 e a região Sudeste está no “cheque especial”, com um saldo negativo de 3,5 m3 por m2.

 
Já a região Sul está em uma situação de equilíbrio.

 
“Temos uma situação de déficit de chuvas tremendo em todo o país, que representa uma situação muito grave. A quantidade de chuvas que entra nos sistemas de vazão está diminuindo e contribuindo para deixar nossa conta bancária hídrica cada vez mais no vermelho”, disse Paulo Nobre, pesquisador do Inpe à Agência Fapesp.

 
Estiagem no Sudeste
A região Sudeste do país, que enfrentou em 2014 e 2015 o maior período de estiagem dos últimos 70 anos, entrará em meados de agosto — quando se inicia a estação mais seca do ano — com menos água do que tinha em 2014.

 
“Isso representa grandes volumes de água que não foi usada para o crescimento de plantas ou o consumo humano, mas que, simplesmente, não entrou no ciclo hidrológico”, disse Nobre.

 
Em outro estudo, os pesquisadores analisaram a quantidade de chuvas durante o verão na região Sudeste a partir da década de 1960 até os últimos anos.

 
Nele, os pesquisadores concluíram que, nas décadas entre 1960 e 1980, chegaram a ocorrer durante um mês ao menos duas chuvas de mil milímetros.

 
Nas décadas entre 1980 e 2000 essas chuvas se tornaram menos frequentes e raramente ultrapassaram 900 milímetros. Já a partir dos anos 2000 as chuvas de verão no Sudeste mal ultrapassaram o volume de 100 milímetros.

 
Cantareira

 
“Desde 2010 vem chovendo abaixo da média no Sudeste do país. Com isso o nível dos reservatórios da região foram diminuindo e tivemos a grande seca de 2014 e 2015”, afirmou.

 
Um estudo em fase de execução realizado por Carlos Nobre, pesquisador do Inpe e colaboradores, calculou a taxa de vazão do sistema Cantareira no últimos 130 anos. Os resultados do estudo indicaram que desde 1880 vem diminuindo a vazão das sub bacias que abastecem o Cantareira.

 
“A seca de 2014 e 2015 foi um evento extremo de diminuição de longo efeito que fez com que a vazão do reservatório fosse decaindo nos últimos 20 anos”, afirmou Paulo Nobre.

 
De acordo com o pesquisador, um dos fatores que contribuiu para a maior depressão pluviométrica registrada no Sudeste do país este ano desde 1945 foi o aumento da temperatura na região e em outras partes do Brasil.

 
Aumento da temperatura
Um levantamento realizado por ele e colaboradores das médias de temperatura em todas as regiões do Brasil entre 1960 e 2010 apontou que a temperatura do país, como um todo, está aumentando.

 
“Estamos constatando que, ano após ano, o Brasil está ficando mais quente. E isso se deve, em grande parte, ao fato de que a temperatura do planeta está aquecendo devido, entre outros fatores, ao aumento da concentração de gases de efeito estufa na atmosfera”, afirmou.

 
O aumento da temperatura da atmosfera induz rapidamente a ocorrência de eventos extremos, como secas e inundações, no ciclo hidrológico, afirmou Nobre.

 
O aumento das emissões de gases de efeito estufa, como o CO2 na atmosfera, combinado com a elevação da temperatura tende a agravar, ainda mais as crises hídricas, disse o pesquisador.

 
“As projeções apontam que o clima do Brasil no futuro terá mais condições como as que estamos vivendo agora, com enchentes no vale dos rios Itajaí e Tubarão, em Santa Catarina, e do rio Madeira, na Amazônia, e secas mais frequentes no Nordeste e Sudeste”, afirmou Nobre.*(Com Agência Fapesp)

 

 
FONTE: UOL.COM.BR

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Marcos de Paula Júnior é biólogo formado pela Universidade de Itaúna/2007, especialista em Microbiologia pela PUC-Minas/2011. Lecionou no estado do Pará na escola técnica SOTER 2007 à 2009 onde também morou com Índios da etnia Kyikatejê, desenvolvendo trabalhos de pesquisa em etno-ciência e educacão de 2007 a 2009. Professor na escola técnica Cecon – Itaúna/MG desde 2010, e sócio e consultor ambiental na empresa Ética consultoria.