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dubai_vista_de_cimaFortes ondas de calor provocadas pelo aquecimento global podem limitar a sobrevivência humana em países do Golfo Pérsico até o final deste século, revela uma nova pesquisa realizada por cientistas americanos.

 
Segundo eles, o aumento da temperatura devido à emissão de gases de efeito estufa impediria o corpo humano de se resfriar através da transpiração, ameaçando cidades como Abu Dhabi, Dubai, Doha ou no litoral do Irã.

 
Conduzido pelos professores americanos Jeremy Pal e Elfatih Eltahir, ambos do MIT (Massachusets Institute of Technology), em Boston, nos Estados Unidos, o estudo aponta que ondas de calor mais intensas do que as registradas até agora se tornariam constantes a partir de 2070.

 
“Nossos resultados revelam um lugar do globo onde a mudança climática, na ausência de reduções significativas das emissões de gás carbônico, impactará severamente a habitabilidade humana no futuro”, escreveram os cientistas em artigo publicado na revista científica Nature Climate Change.

 
Eles preveem ainda que o clima futuro em muitas localidades do globo será semelhante ao verificado atualmente no deserto de Afar, no lado africano do Mar Vermelho, onde não há indício de assentamentos humanos.

 
A pesquisa, contudo, afirma ser possível contornar o destino trágico se as emissões de gases de efeito estufa forem reduzidas.
O Golfo Pérsico, onde a população vem aumentando rapidamente, sofreu neste ano uma de suas piores ondas de calor, com temperaturas chegando a 50°C, e causando inúmeras mortes.

 
“Esperamos que uma informação como essa possa ser útil em fazer com que os países da região se interessem pela redução das emissões de gases de efeito estufa. Eles têm um interesse vital em apoiar medidas que ajudam a a reduzir a concentração de CO2 no futuro”, disse Eltahir.

 
Países ricos da região, como a Arábia Saudita, vem frequentemente tentando frustrar negociações de mudanças climáticas a nível internacional. Por trás disso, está a continuidade da exploração de petróleo e gás, principais fontes da economia dessas nações.

 
Modelos matemáticos
O estudo analisou como a combinação de temperatura e umidade, chamada de Temperatura de bulbo úmido (WBT, em inglês), aumentaria se as emissões de dióxido de carbono continuarem a manter a tendência atual e se a temperatura global subir 4°C neste século, conforme previsões anteriores.

 
Segundo os cientistas, quando a WBT ultrapassa 35°C, o forte calor e a umidade tornariam fisicamente impossível para o ser humano mais condicionado se resfriar com o suor, com consequências fatais após seis horas.

 
Para pessoas menos condicionadas, a WBT fatal seria inferior a 35º C. A temperatura WBT de 35°C –uma combinação de 46°C de calor e 50% de umidade– foi quase alcançada em Bandar Mahshahr, no Irã, em julho deste ano.

 
Para chegar às conclusões, os pesquisadores usaram modelos matemáticos para mostrar que as temperaturas extremas poderiam ocorrer a cada uma ou duas décadas após 2070 ao longo da maior parte da costa do Golfo, se o aquecimento global não for interrompido.

 
Usando uma medida normal de temperatura, o estudo revelou que os termômetros passariam a marcar em média 45°C durante o verão, enquanto que poderia chegar a 60°C no Kuwait.

 
Perto da costa do Mar Vermelho, na Arábia Saudita, onde se localizam Meca e Jedá, a WBT não deve passar do limiar dos 35°C, mas ficaria em torno de 32°C ou 33°C.

 
Ainda assim, segundo os cientistas, o cenário inviabilizaria o Hajj, a peregrinação anual que os muçulmanos fazem à cidade sagrada de Meca.

 
“Um dos rituais do Hajj – o dia de Arafah – exige que os fiéis rezem em uma localidade fora de Meca do nascer ao pôr do sol. Mas sob essas condições, seria muito difícil realizar esses rituais em áreas abertas”, disse Elthair.

 
Ar condicionado?
O ar condicionado continuaria protegendo as pessoas em áreas fechadas, dizem os cientistas.

 
Eles alertam, contudo, que países mais pobres do Golfo teriam dificuldades financeiras de custear a infraestrutura.
No Iêmen, por exemplo, a WBT poderia alcançar 33°C, próxima ao limiar de sobrevivência.

 
“Sob tais condições, o aquecimento global provocaria a morte prematura dos mais fracos –a saber, crianças e idosos”, disse.

 
A região do Golfo Pérsico é vulnerável a altas temperaturas por causa de tendências meteorológicas regionais. Durante o verão, o céu limpo permite ao sol aquecer fortemente as águas do Golfo, que são rasas e portanto se aquecem mais rápido do que as dos oceanos. Como resultado, o aquecimento do mar também produz maior umidade, afetando, principalmente, as cidades costeiras.

 
FONTE: BBC BRASIL

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Marcos de Paula Júnior é biólogo formado pela Universidade de Itaúna/2007, especialista em Microbiologia pela PUC-Minas/2011. Lecionou no estado do Pará na escola técnica SOTER 2007 à 2009 onde também morou com Índios da etnia Kyikatejê, desenvolvendo trabalhos de pesquisa em etno-ciência e educacão de 2007 a 2009. Professor na escola técnica Cecon – Itaúna/MG desde 2010, e sócio e consultor ambiental na empresa Ética consultoria.