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giro-pelo-centro-oeste1No recente episódio envolvendo um dos irmãos Gomes, do Ceará e a Câmara dos Deputados, boa parte da população brasileira se sentiu realmente representada. Há muito que cidadãos brasileiros gostariam de ver e ouvir alguém dizer “umas verdades” aos senhores da Nação brasileira, que a dividem como se fazia nas histórias de guerras passadas, a exemplo daquelas em que um outro Cid se fez herói de Espanha. “Tem lá uns 400, 300 deputados que, quanto pior, melhor para eles. Eles querem é que o governo esteja frágil porque é a forma de eles achacarem mais, tomarem mais, tirarem mais, dele, aprovarem as emendas impositivas”. Esta foi a fala do ex-ministro, anterior à sua ida à Câmara. Convocado a se explicar, e mandado pedir desculpas aos deputados, pela presidente Dilma, o que vimos foi um cidadão, de dedo em riste, apontar para o presidente da Câmara e afirmar que uma boa parte dos “representantes do povo” são achacadores. E falou em alto e bom som: “larguem o osso!”.

 

 

O episódio deveria servir para repensar a atuação do Legislativo em todos os níveis, no País. O que tem sido deputados, vereadores, senadores (com raríssimas exceções), senão despachantes de luxo, imbuídos em manter-se no poder, fazendo do ato de representar a população – quase nunca representada de fato – em profissão aonde recebem bons salários e conseguem benefícios para os mais próximos? Lembro-me que na eleição de 2012, atuando como profissional contratado a serviço de campanhas eleitorais, produzi cartilha com informações de como deveria ser a atuação de um vereador. A proposta era de levar aos eleitores, parâmetros para que pudessem escolher melhor seus representantes. Tais cartilhas foram impressas em bom número e distribuídas a eleitores do Sul de Minas e alguns municípios paulistas. Em vão, pois o que vimos foram vereadores que, após se elegerem, esquecerem quais eram as funções do vereador e mantiveram a prática do casuísmo.

 

 

Mas entendo que iniciativas assim devem ser mantidas e a população sempre informada de quais são, realmente, as funções dos vereadores, dos deputados, dos senadores, dos prefeitos, enfim, de cada um dos políticos que são eleitos para nos representar. Assim, sabendo quais são suas obrigações, o cidadão pode cobrar-lhes a atuação nestas ações e condenar-lhes as práticas diversas, punindo-as com a negação do voto. O Brasil tem uma redemocratização recente, mas já passou da hora de buscar o amadurecimento da democracia. O que não pode é que políticos eleitos para nos representar estejam representando tão-somente a eles mesmos e aos interesses de quem lhes comanda.

 

 

Que sejam bem-vindas manifestações como a de Cid Gomes. Que outras lideranças brasileiras possam se insurgir contra este domínio de alguns poucos sobre a grande massa brasileira. E que a Justiça possa ouvir os significados da acusação lançada sobre os deputados, de achacadores, e possa lhes cobrar conduta mais retilínea, como gostam de discursar muitos dos acusados. Que a fala de Cid Gomes seja mais divulgada pela imprensa brasileira, para que os cidadãos possam saber que ainda existe esperança de um Brasil melhor. E termino com a mensagem de um texto declamado por Ana Carolina, escrito por Elisa Lucinda:

 
“Meu coração está aos pulos!

 

Quantas vezes minha esperança será posta à prova?

 

Por quantas provas terá ela que passar? Tudo isso que está aí no ar, malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro, do meu, do nosso dinheiro que reservamos duramente para educar os meninos mais pobres que nós, para cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais, esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais.

 
Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta à prova?

 
Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais?

 

 

É certo que tempos difíceis existem para aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz.

 

 

Meu coração está no escuro, a luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e os justos que os precederam: “Não roubarás”, “Devolva o lápis do coleguinha”, “Esse apontador não é seu, minha filha”. Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar.

 

 

Até habeas corpus preventivo, coisa da qual nunca tinha visto falar e sobre a qual minha pobre lógica ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará. Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear: mais honesta ainda vou ficar.

 

 

Só de sacanagem! Dirão: “Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo mundo rouba” e vou dizer: “Não importa, será esse o meu carnaval, vou confiar mais e outra vez. Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos, vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês. Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau.”

 

 

Dirão: “É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem que veio de Portugal”. Eu direi: Não admito, minha esperança é imortal. Eu repito, ouviram? Imortal! Sei que não dá para mudar o começo mas, se a gente quiser, vai dar para mudar o final!”.

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Sérgio Cunha é Jornalista Profissional, pós-graduado em Gestão em Processo de Produção Gráfica, pelo Sistema FIEMG/Newton Paiva, especialista em marketing político e consultor em comunicação pública. Esta coluna é publicada semanalmente nos sites “Notícias de Itaúna” (www.noticiasdeitauna.com.br) e “Blog da Tribuna” (www.tribunaweb.blogspot.com), e nos jornais ‘Tribuna do Carmo’ e ‘Tribuna de Cláudio’.