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foto2O Netflix abriu nesta terça-feira (7) uma vaga de emprego que é, para muitos, o trabalho dos sonhos. A empresa está atrás do primeiro “tagger” brasileiro, um profissional responsável por assistir a filmes, séries e documentários do serviço de streaming de vídeos e classificar todo esse conteúdo usando tags, ou palavras-chave.

 

 

“Já temos funcionários no Brasil, mas queremos alguém de conteúdo que conheça o sabor local. Queremos entender como os brasileiros assistem nosso conteúdo”, diz Todd Yellin, vice-presidente de inovação do Netflix, em entrevista ao G1.

 
Olhando assim parece simples, né? Passar o dia assistindo Netflix para poder dizer se “House of Cards” é drama ou comédia… Só que não. O trabalho de “taggear” o Netflix é minucioso e classifica o conteúdo não só de maneira detalhadamente objetiva – filmes sobre a Guerra do Vietnã ou da Coreia do Sul, romances entre casais ou triângulos amorosos – mas também quantitativamente, com o que eles chamam de tags de escala.

 
“Precisamos de alguém realmente analítico a ponto de desconstruir filmes e programas, de forma bem subjetiva, com as diferenças de um título para o outro”, afirma Yellin. “Ele é escuro? Alegre? Complicado? Simples? Se passa em Nova Iorque, em São Paulo, em Estocolmo? A câmera é tremida ou não? Quanto tem de violência? E de sangue? E de nudez? É tudo muito específico”.

 
Essa obsessão por classificar tudo que está no Netflix não é tão difícil de entender. As tags são peça fundamental do sistema de personalização do serviço, que basicamente é a tecnologia que sugere os conteúdos certos para cada usuário e torna a navegação o mais intuitiva possível. E isso, no fim das contas, é um dos grandes trunfos do Netflix.

 
Com a contratação de um “tagger” brasileiro, não estranhe se por acaso o Netflix começar a sugerir conteúdo usando personagens bem íntimas do público brasileiro. Podemos ter uma seleção de filmes com vilãs que lembram Carminha, da novela “Avenida Brasil”, ou um compilado de comédias com atores que interpretam vários papéis, como Chico Anysio fazia.

 

 

“Queremos que nosso conteúdo seja visto e realmente compreendido. Se não fizermos nada, haverá muito trabalho [para achar o que se quer] e será frustrante. As escolhas paralizam os usuários e não queremos isso”, afirma Yellin.

 

 

Por conta disso, uma das exigências para a vaga é que o candidato tenha estudado cinema ou tenha experiência com direção, roteiro, entre tantas áreas do audiovisual. “Outros serviços recorrem à internet para entender seu conteúdo. Nós queremos criar o padrão-ouro”, diz Yellin.

 

 

Para se candidatar à vaga e obter mais informações, clique aqui (em inglês).

 

 

Netflix global
A maior reivindicação dos usuários do Netflix é ter acesso ao acervo do serviço em outros países, como os Estados Unidos. O sonho ganhou ares de realidade quando o próprio CEO da empresa, Reed Hastings, disse em entrevista à imprensa australiana que a solução do Netflix é, de fato, se tornar global.

 
Em meio a disputas contratuais com estúdios e bloqueios de acesso por VPN, Yellin diz que trabalha para viabilizar isso. “Se ele [Hastings] diz que é possível, nós iremos tornar possível. Nós vamos lançar o serviço em muitos países nos próximos anos. E porque o brasileiro deve se importar com isso? Quanto mais global nós formos, mais estaremos em contato com todos os tipos de conteúdo, e conseguiremos trazer os melhores programas para o Brasil”.

 
Produção local
Yellin conta ainda que a presença de um “tagger” brasileiro pode ajudar o Netflix a aumentar a produção local, no Brasil e em outros países. “É algo muito útil para nossa equipe de licenças e de produção de conteúdo. Eles usam muitos fatores para analisar o que trazer ao Netflix. Quanto os brasileiros estão assistindo de conteúdo local contra conteúdos globais. Então estamos prestando atenção nisso”.

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