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STEFAN SALEJ

 

Há semanas que ouvimos falar que dólar, a moeda dos Estados Unidos, tem influenciado a alta de preços, não só dos combustíveis mas também dos comestíveis. Aí, o tal do dólar sobe, na verdade é o real que fica desvalorizado, e o país econômico entra em pânico. O Banco Central começa a queimar reserva, só 20 bilhões de dólares. O pior são as explicações que dão os representantes do governo: calma, está tudo sob controle, temos reservas cambiais que cobrem a saída de dólares, e mais um monte de coisas que não saem da repetição dos eventos do passado.

 

 

Mas, qual é a realidade da turbulência cambial. A primeira é que a economia brasileira não é uma economia dissociada do mundo. Nós fazemos parte da economia mundial, e somos altamente dependentes dela. E não temos nenhuma influência nos movimentos que regem a economia mundial mas, só repetindo, afetados por ela e muito. A valorização do dólar e o aumentos dos juros nos Estados Unidos ou Europa, as barreiras comerciais e a política monetária dos bancos centrais de países desenvolvidos, têm influência forte na economia brasileira.

 

 

Em segundo lugar, a nossa matriz econômica não é baseada na produção, mas nos ganhos de especulação. Somos um país por excelência de terra fértil para a especulação, seja para os nativos, e, muito mais para o capital estrangeiro. E repetindo, ele vem, mas sai ainda mais rápido do que entra. Então cria-se uma ilusão de que estamos bem com a entrada de investimentos estrangeiros, quando ou ele vêm para especular, ou vem rastreado nos empréstimos e benefícios fiscais que só aumentam as nossas vulnerabilidades de contas públicas ou contas externas. Claro que há exceções, mas que só confirmam a regra.

E a questão básica passa em seguida pela nossas exportações. Sempre e cada vez mais e mais dependentes não só de matérias primas e produtos primários mas de traders externos. Exceção talvez sejam a Vale, com mineiro de ferro, e alguns exportadores de carnes vermelhas e brancas. Mas, estes já têm passivo de qualidade que nos leva a tremer quando vem alguma inspeção sanitária. No caso do café, só exportamos grãos e cafés especiais que, apesar de um esforço formidável de alguns, ainda não representam um valor significativo.

 

 

As nossas importações são baixas porque economia não deslancha. E as saídas na conta de turismo é maior do que a entrada com turistas estrangeiros.

 

 

Em resumo, tem cada vez menos dólares para gastar e cada vez mais gente querendo dólar, nem que seja para reserva contra essas incertezas e vulnerabilidades de todo dia. O pior é a ilusão de que tudo está bem. O câmbio não deve refletir insegurança jurídica e política, mas é uma componente de política econômica e cambial. Mas, lamentavelmente, no nosso caso reflete sim e ainda vai balançar muito mais, porque a situação é precária e com perspectivas pouco claras. Mas, o pior não é a percepção, o pior é que não teremos dólar para a farra cambial dos especuladores.

 

 

STEFAN SALEJ, consultor empresarial, foi presidente do Sistema Fiemg e Sebrae MG

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