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Tive o raro privilégio de estudar no Colégio de Aplicação, de ter professores de direito no curso de administração como o posteriormente nomeado Ministro do STF e seu Presidente, Carlos Mario Velloso, de estudar no famoso e respeitado DCP (Departamento de Ciência Política) da UFMG e mais uma série de estudos e convivências que tornaram minha vida interessante e estudiosa. A minha primeira experiência política foi assistir a um comício do Jânio Quadros com o Governador Magalhaes Pinto, da antiga UDN, no Bairro Pompeia em Belo Horizonte em junho de 1960. Daí para a frente acompanhei a política mineira e nacional com afinco e sempre com crença firme nos valores democráticos para um Brasil justo e com desenvolvido para todos.

 

 

Nesta eleição estou totalmente confuso. Sinto-me um total ignorante, sem saber por onde anda a nossa democracia, se democracia é sequer o queremos como pilar de nosso desenvolvimento social e econômico. A quantidade de partidos políticos sem nenhum viés ideológico, mas crescente viés fisiológico, é tão prejudicial à democracia brasileira como ter um partido só. E isso porque nem o judiciário e nem o Congresso resolvem por ordem nesta nossa democracia e dizer com clareza qual é a regra.

 

 

Já que estamos na área do judiciário, não consigo entender como uma pessoa presa, independentemente de seus méritos históricos como ator importante da política nacional, comanda toda uma campanha de sua cela em Curitiba. Por que ele pode e por exemplo Sérgio Cabral ou Fernandinho Beira Mar não podem sequer conversar com outros presos, muito menos serem atores importantes nas eleições. Que lei é esta que dá privilégios a um criminoso (o Código penal assim qualifica o condenado) e nega a outros 800 mil. E tem mais: como o judiciário não resolve isso e como permite essa agonia processual que deixa que o processo nunca termine para um, deixando dúvidas sobre a condenação (análises as mais tortas possíveis pelo mundo afora) e por outro lado declara que tem 40 % dos presos no Brasil sem julgamento.

 

 

São situações que em nada ajudam o Brasil e o seu cidadão a consolidarem sua democracia e criam uma confusão eleitoral cujos resultados são absolutamente imprevisíveis, inclusive na governabilidade do país. Está difícil entender isso e acreditar que após as eleições vamos ter estabilidade política. Parece que há uma parcela dominante da política brasileira que quer levar o país a um caos institucional na base do quanto pior melhor. As indefinições de estruturas políticas que atuam no cenário eleitoral, inclusive a fisiológica distribuição de fundos eleitorais, mais um item na falsa transparência da democracia brasileira, gerando corrupção legal, levam a uma fragilidade cujas consequências são imprevisíveis. E essa fragilidade claro leva a benefícios a grupos políticos e econômicos nacionais e estrangeiros, a um prejuízo da nação como um todo.

 

 

Haja fé e esperança e compreensão neste cenário para o nosso Brasil.

 

 

STEFAN SALEJ, consultor empresarial, foi presidente do Sistema Fiemg e Sebrae/MG

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