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20150814202738579229oEm muitos estabelecimentos pecuaristas, o esterco pode ser um problema. Na fazenda leiteira americana Homestead Dairy, no entanto, cheira a dinheiro. Lá, um sistema de recuperação de biogás transforma o esterco das vacas e outros dejetos em eletricidade.

 
De fato, a energia gerada é suficiente para iluminar mil casas, um serviço pelo qual a empresa local paga generosamente.
Mas este é apenas um ganho adicional.

 
“Funciona economicamente, mas uma das principais razões pelas quais fizemos isto foi tentar ajudar a controlar o odor, por causa dos vizinhos”, informou Floyd Houin, cuja família é proprietária desta fazenda em Plymouth, Indiana (centro) desde 1945.

 
“A terra é importante para nós também porque cultivamos para alimentar as vacas. Por isso, queremos fazer tudo o que pudermos para cuidar da terra e da água. Bebemos a mesma água que todos os demais”, explicou.

 
Normalmente, os estabelecimentos pecuaristas lançam seus dejetos em lagoas abertas e o mau cheiro não as torna muito populares entre os vizinhos.

 
Estas lagoas também têm um impacto ambiental significativo porque emitem metano e dióxido de carbono – que contribuem para o aquecimento global – e podem contaminar as águas subterrâneas se tiverem algum vazamento ou transbordarem durante chuvas intensas.

 
Instalar um digestor anaeróbico – basicamente uma cobertura gigante que utiliza o calor para acelerar a decomposição – permite capturar tanto o cheiro quanto os gases de efeito estufa.

 
Energia para um milhão de casasA Agência de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em inglês) dos Estados Unidos estima em mais de três milhões de toneladas o volume de gases de efeito estufa eliminados no ano passado pela Homestead e por outros 246 estabelecimentos pecuaristas que instalaram sistemas de recuperação do biogás.

 
Isto equivale a retirar mais de 630.000 automóveis das ruas.

 
Há 8.000 estabelecimentos leiteiros ou de criação de porcos nos Estados Unidos suficientemente grandes para que seja viável instalar um sistema de recuperação de biogás.

 
A EPA avalia que poderiam gerar energia suficiente para abastecer um milhão de lares e reduzir emissões equivalentes às de quase quatro milhões de automóveis.

 
A recuperação de biogás também vem sendo utilizada para capturar metano de depósitos de lixo e usinas de tratamento de esgoto, e até mesmo em fábricas de cerveja artesanal.

 
Segundo Allison Costa, da unidade AgStar, da EPA, o governo “está comprometido” em fazer avanços neste campo e uma extensão deste sistema “poderia ajudar a fazer avanços significativos em alguns dos nossos desafios ambientais e energéticos”.
O problema, segundo Costa, é que implica em um enorme investimento e a maioria das companhias de serviços públicos dos Estados Unidos não pagará o suficiente pela eletricidade para que o projeto seja atraente para aqueles que obtêm empréstimos bancários.

 
Também requer muita manutenção, para a qual muitos estabelecimentos não têm pessoal. Mas quando funciona, diz Costa, realmente o faz.

 
Um bom investimentoRyan Rogers, de 31 anos, ama seu digestor. “Tem tantas (coisas) boas”, afirma Rogers, que é casado com uma integrante da família Homestead e dedica quatro horas por dia à manutenção e administração do digestor.

 
Isto inclui controlar o odor dos 70 mil galões de esterco e urina produzidos diariamente pelas 3.400 vacas leiteiras.
O digestor também transforma o esterco em fertilizante, o que implica em maior produtividade nos mais de 1820 hectares (4.500 acres) de cultivos de milho.

 
Uma vez extraído o fertilizante, o que resta é usado para criar leitos para as vacas.

 
A família conseguiu um empréstimo para cobrir parte dos custos do biodigestor e o contato com a empresa local de eletricidade. Além disso, recebe dinheiro extra – e combustível para os geradores – cobrando menos do que o depósito de lixo local de restaurantes e usinas de processamento de alimentos para gerenciar seu lixo.

 
“É um campo crescente nos Estados Unidos”, diz à AFP Mike Fenton, da Michigan CAT, que vende os geradores Caterpillar usados na Homestead.

 
Embora o custo inicial seja grande – um sistema como o da Homestead custa 6 milhões de dólares – Fenton garante ser um bom investimento.

 
A maioria dos estabelecimentos – assegurou – consegue pagar por ele e começar a obter ganhos em três a cinco anos.

 

 
FONTE: AFP

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Marcos de Paula Júnior é biólogo formado pela Universidade de Itaúna/2007, especialista em Microbiologia pela PUC-Minas/2011. Lecionou no estado do Pará na escola técnica SOTER 2007 à 2009 onde também morou com Índios da etnia Kyikatejê, desenvolvendo trabalhos de pesquisa em etno-ciência e educacão de 2007 a 2009. Professor na escola técnica Cecon – Itaúna/MG desde 2010, e sócio e consultor ambiental na empresa Ética consultoria.

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